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Antigo professor Galopim de Carvalho diz que ciência está “maltratada em Portugal (C/ÁUDIO)

*** Serviço áudio disponível em www.lusa.pt ***



Évora, 09 abr 2019 (Lusa) -- O geólogo e professor universitário jubilado António Galopim de Carvalho argumentou hoje que "a ciência está maltratada em Portugal" e defendeu que, "se o país quer ter cientistas a sério", tem de "os tratar a sério".


"Vejo que a ciência está maltratada em Portugal. Tenho muita estima pelo atual ministro da Ciência [Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor], mas vejo as reclamações dos cientistas, as dificuldades" que têm "em conseguir um posto de trabalho, uma vida", criticou Galopim de Carvalho.


Em declarações aos jornalistas, após ser distinguido pela Universidade de Évora com o grau de Doutor 'Honoris Causa', hoje à tarde, o antigo professor universitário considerou que "um cientista precisa de ter a vida resolvida para pensar na ciência".


"Não pode estar dois ou três meses a escrever um projeto de investigação para ver se é admitido ou se não é admitido, depois passar dois ou três meses a fazer um relatório para justificar ter dinheiro para o ano seguinte. Não pode ter esta vida", criticou.


Para Galopim de Carvalho, um cientista "tem que ter um lugar" e, "se o país quer ter cientistas a sério, tem que os tratar a sério como cientistas".


"O cientista precisa de estabilidade. Quando se diz que estão resolvidos os empregos, isso é "mentira", porque "não estão resolvidos, continuam a viver de bolsas, de trabalho precário", contrapôs o antigo diretor do Museu Nacional de História Natural (1992 a 2003).


"Eu tive a minha vida estabilizada porque era do setor da universidade. Chegava ao fim do mês, tinha o meu salário e vivia bem, vivia descansado, não precisava de estar a pensar nos tostões para a renda de casa e fazia a minha ciência e fiz muita, com essa despreocupação", comparou.


A Universidade de Évora atribuiu hoje doutoramentos 'Honoris Causa' a António Galopim de Carvalho e ao presidente do Conselho da Universidade da Cidade de Macau (UCM), Chan Meng Kam.


O Conselho Científico da UÉ considerou que, "entre muitos outros aspetos do seu percurso", Galopim de Carvalho é "um dos maiores divulgadores de ciência em Portugal" e destacou-se "pelo seu contributo enquanto investigador" e por "ser sinónimo da disciplina científica em que se especializou", a geologia.


O "empenhamento cívico", a "carreira ímpar", a "sua forte ligação à cidade de Évora, onde nasceu (1931) e desenvolveu os primeiros estudos" e os "seus dotes pedagógicos que marcaram profundamente gerações de alunos, inspirando imensas carreiras profissionais", foram outros contributos destacados pelo Conselho Científico.


Galopim de Carvalho, que disse hoje aos jornalistas gostar do rótulo que lhe deram como "pai dos dinossauros", embora agora seja mais "avô dos dinossauros", mostrou-se feliz e disse que o galardão tem "um significado muito grande", por constituir "uma espécie de homenagem de fim de carreira, de uma longa vida de muito trabalho muito honesto".


"Dá-me uma grande felicidade este reconhecimento e tê-lo sido feito em vida porque depois de falecido já não interessa", destacou.


A reitora da UÉ, Ana Costa Freitas, considerou Galopim de Carvalho é "uma das grandes personalidades" de Portugal e frisou que esta "justa homenagem" ao "cientista, pedagogo, geólogo e divulgador de ciência" já "há muito" que lhe era devida.



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