Macau/99: Edmund Ho Hau Wah: Perfil de um “homem de consensos”
Arquivo Lusa 1999
+++ Por Gonçalo César de Sá, da Agência Lusa +++
Macau, 23 Abr (Lusa) - O banqueiro Edmund Ho Hau Wah, nascido em Macau a 13 de Março de 1955, que hoje garantiu a sua eleição como Chefe do Executivo da futura Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), é considerado como um "homem de consensos".
Filho do antigo líder da comunidade chinesa de Macau, Ho Yin - que representou os interesses da República Popular da China durante mais de três décadas e até à sua morte em 1983 - Edmund Ho regressou do Canadá onde se formou em gestão na Universidade de York, em Toronto, para se tornar, com 29 anos, presidente do conselho de administração do Banco Tai Fung e iniciar a sua carreira de banqueiro e político.
Logo após assumir a administração do Banco Tai Fung, Edmund Ho reestruturou o seu capital de modo a resolver problemas de solvência e negociou a venda de 50 por cento do capital ao Banco da China.
Casado com Lau Wai Ching e pai de um rapaz de nome Ho King Man, 16 anos, e uma rapariga de nome Ho Mei Ji. 13 anos, Edmund Ho é fluente em cantonês, inglês e mandarim, que aprendeu nos últimos 15 anos, por considerar ser "extremamente importante" para a sua carreira, mas apenas consegue dizer duas ou três frases em português.
Ao longo dos anos Edmund Ho assumiu importantes cargos políticos, empresariais e sociais não só em Macau, mas também na própria China, sendo vice-presidente da Comissão Preparatória da Região Administrativa Especial de Macau, membro do Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular da República Popular da China e vice-presidente da Federação de Toda a China para a Indústria e Comércio.
Em Macau, Edmund Ho, além de ser vice-presidente da Assembleia Legislativa de Macau é presidente da Associação de Bancos, vice-presidente da Associação Comercial, vice-presidente das instituições de caridade do hospital Kiang Wu e Tong Sin Tong, presidente da Assembleia-Geral do Centro de Produtividade e Transferência de Tecnologia e vice-presidente do Conselho de Administração do World Trade Center de Macau.
Os seus interesses económicos e empresariais estendem-se a dezenas de empresas, nomeadamente a companhia de autocarros Transmac, Air Macau, Teledifusão de Macau, Nam Van, Concórdia, Companhia de Cimentos de Macau, companhia do Aeroporto Internacional de Macau e companhia de seguros Luen Fung Hang entre outras.
Edmund Ho é igualmente presidente do Comité Olímpico de Macau, presidente da Associação de Artes Marciais e das Associações de Tiro e Golfe de Macau.
A sua rede de contactos sociais, empresariais e económicos é constante em centenas de empresas mas, como disse recentemente, irá desligar-se de todas caso venha a ser eleito como Chefe do Executivo da futura RAEM.
Edmund Ho rejeita publicamente qualquer conotação politica e afirma claramente que não consegue saber se é "moderado, conservador, liberal ou consensual" mas garante ser "prático, eficiente e pragmático" qualidades que imprimirá ao seu futuro governo cujos princípios anunciou na sua plataforma de candidatura "Da adversidade às oportunidades".
A sua ascensão política foi meteórica e em 1988, apenas com 30 anos, é nomeado deputado da Assembleia Legislativa de Macau, sendo a partir dessa data considerado como uma personalidade a ter em conta no futuro do território.
"Só comecei a pensar em me candidatar ao cargo de Chefe do Executivo há sensivelmente dois anos", assegurou Edmund Ho Hau Wah recentemente aos jornalistas, não obstante ser o preferido das autoridades portuguesas e chinesas para o cargo.
Aliás, não passou despercebido o facto de o jornal chinês de Pequim, "China Daily", trazer em primeira página "um significativo aperto de mão entre o Presidente da República Popular da China, Jiang Zemin e Edmund Ho" quando se reuniu pela primeira vez em Pequim a Comissão Preparatória da futura RAEM.
As autoridades, tanto de Macau como de Portugal, jamais expressaram publicamente o seu favoritismo mas, em meios privados, não escondem que a nomeação de Edmund Ho como Chefe do Executivo pode representar a "manutenção de algumas das políticas lançadas pelas administrações portuguesas nomeadamente ao nível económico, cultural e patrimonial".
"Tenho muitos amigos na comunidade portuguesa e macaense do território e acredito que todos eles têm um papel a desempenhar no Macau do futuro" defende também Edmund Ho.
Conhecido pelo seu "charme, simpatia, relação fácil e simplicidade", Edmund Ho, com apenas 44 anos, vai tornar-se no primeiro Chefe do Executivo da RAEM no próximo dia 15 de Maio, quando os 199 membros da Comissão de Selecção voltarem a reunir-se em Macau para a escolha definitiva.
As suas recentes intervenções, desde que anunciou ser candidato ao cargo nomeadamente o modo "habilidoso" como referiu questões delicadas da sua vida privada, mostram que o futuro Chefe do executivo de Macau possui uma grande capacidade de diálogo e de relacionamento.
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