Ciência: Relações Portugal-China não serão afectadas por causa de Macau
Arquivo Lusa 1999
Macau, 17 Jun (Lusa) - A transferência de administração em Macau em nada afectará as relações a nível científico e tecnológico entre Portugal e a República Popular da China, afirmou hoje em Macau o ministro da Ciência e da Tecnologia, Mariano Gago.
"Não é a administração que conta, mas sim as relações entre as pessoas tendo em vista o futuro. E não tenho dúvida de que com a próxima administração Macau continuará a ser um elo privilegiado nas ligações entre Portugal e a República Popular da China", afirmou ainda o ministro aos jornalistas.
Mariano Gago, que participou hoje na inauguração do Fórum Internacional de Cultura Científica e Tecnológica Europa/Ásia, a decorrer no Centro Cultural de Macau com o apoio do governo do território e dos ministérios da Ciência e Tecnologia dos dois países, recordou a colaboração, que qualificou de "particularmente gratificante", a nível bilateral.
"Acabo de chegar de Pequim, onde quarta-feira foi inaugurado o Centro Portugal-China para a História das Ciências, que é um símbolo permanente do desejo de aproximação e abertura que a vontade de partilhar o conhecimento e o saber fazer oferecem à civilização", acentuou Mariano Gago.
E o ministro recordou que, quando há dois anos, Portugal lançou as bases de um novo relacionamento científico e tecnológico com a China, fê-lo no quadro de duas opções claras - a escolha da dimensão europeia e a opção de Macau como elo de ligação.
"Foi assim com a iniciativa Eureka-Ásia, aqui realizada no ano passado, e que terá, no próximo ano, igualmente em Macau, a sua segunda realização, criando-se, entretanto, em Macau, um ponto focal para a Ásia da iniciativa Eureka", disse.
Ao falar na inauguração, que contou com a presença do Governador de Macau, general Rocha Vieira, e de um representante do Ministério chinês da Ciência e Tecnologia, o ministro português salientou que além dos resultados tangíveis da ciência e tecnologia, sob a forma de produtos e processos de fabrico, a actividade científica sustenta a capacidade de avaliação, a independência do espírito e a interrogação sistemática sobre o porquê das coisas.
"Por isso, a luta pelo desenvolvimento da cultura científica é indissociável do combate por sociedades mais justas e mais livres", realçou.
No âmbito deste fórum, decorre ao longo do dia de hoje, também nas instalações do Centro Cultural de Macau, um colóquio designado por "Tendências na Educação da Ciência e da Cultura Científica na Europa e na Ásia", organizado conjuntamente pela Fundação Macau, Universidade de Macau, Unidade de Ciência Viva do Ministério português da Ciência e da Tecnologia e pela "Virtual Association of European Science Teachers" (VAEST).
A terminar a sessão, e antes de o ministro, o governador e demais entidades e convidados visitarem a exposição "Ensino da ciência com brinquedos", os responsáveis do Centro Científico e Cultural de Macau, Fundação Macau e Universidade de Macau assinaram um protocolo de cooperação.
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