Macau/99: Edmund Ho único sério candidato chefia executivo futura RAEM, Stanley Ho
Arquivo Lusa 1999
Hong Kong, 26 Mar (Lusa) - O magnata do jogo Stanley Ho considerou que o banqueiro Edmund Ho é o único sério candidato ao cargo de chefe do executivo da futura Região Administrativa Especial de Macau (RAEM).
Aquela opinião foi expressa por Stanley Ho ao jornal "Ming Pao Daily News", de Hong Kong.
A afirmação constitui uma alteração significativa face às declarações proferidas pelo magnata do jogo de Macau em Abril de 1998 quando previu que a corrida ao cargo mais importante da futura RAEM teria três candidatos - o presidente da Associação de Bancos de Macau Edmund Ho, a empresária Susana Chou e Eric Yeung.
Acerca de informações que circulam em Macau de que o governo chinês retiraria a concessão do jogo à Sociedade de Turismo e Diversões de Macau em 2001, fim do contrato de exploração de jogos de fortuna e azar, Stanley Ho disse não acreditar e advertiu contra decisões precipitadas já que 60 por cento das receitas arrecadadas pela administração provêm da taxação dos lucros dos casinos.
Stanley Ho insistiu em que a manutenção de monopólio no jogo é benéfico para Macau e para a sua estabilidade dado que, em sua opinião, se houvesse várias empresas concessionárias tal situação geraria conflitos e disputas entre as seitas de criminosos que operam no território.
"Caso a futura administração decida, em 2001, abrir um concurso público para a concessão dos jogos de fortuna e azar, a STDM apresentará uma proposta", disse o magnata do jogo, que recordou ter de olhar pelo bem-estar das mais de 10 mil pessoas que trabalham para a empresa de que é presidente.
Embora não tenha qualquer vontade de se reformar, Stanley Ho, com 78 anos de idade, especificou que a decisão de apresentar uma proposta ao eventual concurso público, não está centrada na sua própria pessoa, mas por ter continuar a olhar pelos seus trabalhadores.
Falando do que considera serem as prioridades do executivo da futura RAEM, o magnata do jogo disse que a primeira é melhorar a segurança pública em Macau.
No entanto, previu que após 1999 muitas das tríades locais deverão abandonar Macau, atendendo a que os seus responsáveis têm medo do regime comunista chinês.
Pela primeira vez Stanley Ho admitiu ter sido alvo das ameaças de um conhecido chefe do crime organizado de Hong Kong, "Big Spender" Cheung Tze-keung, mais tarde executado na China, que perdeu 200 milhões de dólares de HK num dos casinos de Macau.
Vários bandidos foram enviados para Macau para tentar raptar Stanley Ho, que se viu forçado a contratar mais guarda-costas.
"Por isso, penso que a prioriedade número um do futuro executivo é melhorar o nível de segurança pública em Macau", disse Stanley Ho ao jornal de Hong Kong.
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