PR em Macau: Envio antecipado de tropas para Macau não foi discutido, diz Sampaio
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Macau, 21 Mar (Lusa) - O estacionamento antecipado de tropas da República Popular da China em Macau não foi uma questão discutida quando do encontro com o vice-primeiro-ministro-chinês Qian Qichen, afirmou hoje em Macau o Presidente da República, Jorge Sampaio.
"Tratou-se de um novo impulso político nesta fase final do processo negocial em que há matérias que devem ser da responsabilidade do Grupo de Ligação Conjunta e outras que devem permanecer sob a alçada das duas capitais e respectivas diplomacias", acentuou o presidente.
Jorge Sampaio reconheceu que há matérias, que não especificou, que têm de ser aceleradas, enquanto outras têm de continuar a ser debatidas.
No entanto, ele adiantou estar profundamente esperançado em que no final se possa iniciar um novo capítulo ainda mais rico nas relações entre Portugal e a República Popular da China.
No decurso de um encontro com a imprensa portuguesa, Jorge Sampaio, quando questionado sobre os ritmos diferentes que as diversas estruturas envolvidas no processo negocial sino-português aparentam ter, limitou-se a dizer "o que é importante é que os dois comboios cheguem à estação ao mesmo tempo".
Jorge Sampaio, que teve palavras de apreço para com o trabalho desenvolvido pelo Governador e secretários-adjuntos, disse que Portugal deixará Macau, em termos financeiros, com um orçamento equilibrado e sem défice e com reservas, não obstante o profundo esforço desenvolvido em termos de infraestruturas, pelo que Macau tem todas as condições para ultrapassar sem grande esforço a actual crise económica asiática.
O governador do território, Rocha Vieira, que participou neste encontro, adiantou que a futura Região Administrativa Especial de Macau disporá de oito mil milhões de patacas em reservas no Fundo de Terras e que o território está preparado tanto em termos financeiros como infraestruturais para arrancar de uma forma decidida.
"Não há debilidades estruturais. Demos já resposta ao esgotamento do anterior ciclo económico e preparamos o futuro para que a RAEM possa vir a ser uma plataforma de intercâmbios", afirmou o general Rocha Vieira.
Ainda falando sobre esta sua visita, o Presidente da República sublinhou que Portugal irá deixar em Macau uma identidade específica, um património cultural e um património jurídico.
Jorge Sampaio adiantou que o ponto fundamental foi o de trazer um voto de confiança e de determinação política de Lisboa de que o processo da transferência será concluído de forma digna para Portugal e a República Popular da China.
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