PR em Macau: Valores que trouxeram portugueses a Macau mantêm-se para o futuro, diz Rocha Vieira
Arquivo Lusa 1999
Macau, 18 Mar (Lusa) - Os "valores essenciais" que trouxeram os portugueses a Macau são os mesmos que se afirmam actualmente "olhando para o futuro e para as exigências que os novos tempos e as novas circunstâncias colocam", defendeu hoje o governador do território.
"Portugal cumpriu no que se comprometeu e continuará em Macau porque continuará a sua mensagem, porque continuará o entendimento entre Portugal e a China", disse Rocha Vieira referindo-se à transferência da administração do território para a China em 20 de Dezembro durante uma sessão solene no início da visita oficial de cinco dias que o Presidente da República, Jorge Sampaio, faz a Macau.
"A pouco mais de nove meses de terminar a responsabilidade administrativa e de orientação estratégica de Portugal sobre Macau, podemos assegurar ao senhor Presidente da República que o essencial das nossas obrigações e compromissos, assumidos há 12 anos na assinatura da Declaração Conjunta (Luso-Chinesa), está concretizado", disse Rocha Vieira.
"O que a administração portuguesa deixa realizado em Macau é (...) a justificação plena da afirmação política de que, para Portugal, Macau está integrado na afirmação dos seus interesses superiores, é um desígnio nacional", afirmou o governador.
Rocha Vieira disse que a transferência da administração de Macau é um projecto bilateral por natureza e que "apesar das dificuldades de compreensão e de algumas resistências (...) Portugal manteve, em todo o processo, um espírito de vontade de entendimento com as autoridades chinesas" e a "perspectiva dos prazos longos e do respeito pelos valores fundamentais, na certeza de que este seria o modo mais eficaz de construir as condições de autonomia de Macau".
"Por isso, é com confiança no futuro que se sublinha o valor do contributo que Macau fica em condições de prestar, constituindo uma plataforma viável e sólida para a cooperação da China com outras regiões do mundo", defendeu Rocha Vieira.
"É esta a vocação estratégica de Macau, um núcleo urbano multifacetado e multicultural, com capacidade de trabalho e com capacidade de iniciativa, com especializações turísticas e com potencialidades na organização de serviços que lhe asseguram uma base financeira estável", adiantou.
Numa vertente económica, o governador disse que Macau "estará (...) entre aqueles pólos de desenvolvimento que têm condições próprias para atrair investimentos e para os coordenar em aplicações diversificadas no interior da China".
Rocha Vieira comentou ainda os problemas de segurança associados à actividade de organizações criminosas locais que têm atingido o território e que considerou "uma ameaça séria à afirmação de Macau como plataforma de cooperação e como zona de atracção de capitais e de fluxos turísticos".
"A ameaça constituída pelas acções das seitas criminosas exige que não consideremos a data da transferência das responsabilidades administrativas em Dezembro como o fim de uma época e com o começo de outra. É na perspectiva dessa descontinuidade que as seitas criminosas procuram estabelecer posições de domínio, explorando o que esperavam que fosse um vazio de poder", disse o governador.
"Não terão êxito nestes seus objectivos, porque não haverá vazio de poder nem descontinuidade na evolução de Macau", concluiu.
Na sessão solene, realizada no Palácio da Praia Grande, o Presidente da República condecorou o Leal Senado de Macau (a câmara municipal local) com o título de membro honorário da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, o padre Benjamim Videira Pires, a título póstumo, com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Santiago da Espada, e Arnaldo de Oliveira Sales e Chui Tak Kei com a Grã-Cruz da Ordem do Infante Dom Henrique.
Arnaldo de Oliveira Sales é presidente do Clube Lusitano de Hong Kong e líder da comunidade portuguesa naquele território enquanto Chui Tak Kei é um respeitado membro da comunidade chinesa de Macau.
Durante a sua estada em Macau Jorge Sampaio receberá em audiência o vice-primeiro-ministro chinês Qian Qichen e inaugurará o Centro Cultural, a derradeira obra de referência da administração portuguesa no território.
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