Macau/99: Pequim ambígua quanto a um eventual destacamento militar
Arquivo Lusa 1999
Pequim, 07 Mar (Lusa) - A China evitou hoje indicar se tenciona enviar um destacamento militar para Macau antes da transferência de poderes, como aconteceu em Hong Kong.
Interrogado sobre o assunto, o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Tang Jiaxuan, respondeu que "China e Portugal mantêm consultas muito produtivas" desde a assinatura da Declaração Conjunta, há 12 anos, "mas quanto às questões específicas da transição" disse apenas que isso deve ser perguntado aos "respectivos departamentos".
"Através dos esforços de ambas as partes, estou certo de que a transição e transferência de poderes em Macau será realizada sem sobressaltos", disse também Tang Jiaxuan.
Cerca de 200 soldados chineses entraram em Hong Kong algumas semanas antes da transferência de poderes naquela antiga colónia britânica, na noite de 30 de Junho de 1997.
A decisão chinesa de instalar uma guarnição militar em Macau quando reassumir o exercício da soberania do território foi anunciada há apenas seis meses.
"É um símbolo do exercício da soberania" e "beneficiará a estabilidade social e o desenvolvimento económico" da futura Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), disse na altura o vice-primeiro-ministro chinês e presidente da Comissão Preparatória da RAEM, Qian Qichen.
Portugal foi informado daquela decisão alguns dias antes, através dos canais diplomáticos entre os dois países, mas responsáveis portugueses criticaram a atitude chinesa, alegando que não há tropas em Macau desde 1975 e que a questão não ficou explicitamente consagrada na Declaração Conjunta.
Macau será integrado na República Popular da China no dia 20 de Dezembro, com o mesmo estatuto de Hong Kong (Região Administrativa Especial) e também segundo a fórmula "um país, dois sistemas".
Como Hong Kong, Macau gozará de "um alto grau de autonomia", excepto nas áreas da defesa e relações externas, que serão da "competência exclusiva" do governo central chinês.
A China ainda não revelou a dimensão da futura guarnição militar de Macau, adiantando apenas que terá "um número de efectivos apropriado" e que os custos com a sua manutenção serão "inteiramente suportados" por Pequim.
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