icon-ham
haitong

China anuncia expansão de infraestrutras para criar grande metrópole no Sul

Pequim, 19 fev (Lusa) - A China planeia acelerar o desenvolvimento e expansão das infraestruturas no Delta do Rio das Pérolas, visando transformar a região numa "área de excelência internacional", até 2035, segundo um plano oficial difundido esta segunda-feira.


O documento, divulgado pelo Comité Central do Partido Comunista Chinês (PCC) e pelo Conselho de Estado (Executivo), prevês nomeadamente reforçar a capacidade portuária e expandir as ligações aéreas e conectividade rodoviária e ferroviária dentro da Grande Baía e entre a região e áreas vizinhas.


O objetivo é construir uma metrópole mundial a partir de Hong Kong e Macau, e nove cidades da província de Guangdong (Dongguan, Foshan, Cantão, Huizhou, Jiangmen, Shenzhen, Zhaoqing, Zhongshan e Zhuhai), através da crescente conectividade entre as vias rodoviárias, ferroviárias e marítimas.


"Trata-se de uma estratégia, a nível nacional, planeada, decidida e promovida pelo próprio secretário-geral [do PCC e Presidente chinês], Xi Jinping", refere o documento.


Com uma economia assente na iniciativa privada e geradora do maior número de bilionários do país, Guangdong exportou, em 2017, mais de 670 mil milhões de dólares norte-americanos em bens.


O Produto Interno Bruto da área que integra a Grande Baía, cuja população é de cerca de 70 milhões de habitantes, ronda os 1,3 biliões de dólares norte-americanos - maior que o PIB da Austrália, Indonésia e México, países que integram o G20.


A Área da Grande Baía conta já com três dos dez portos mais movimentados do mundo - Cantão, Shenzhen e Hong Kong-, e vários aeroportos internacionais.


"Consolidaremos a posição de Hong Kong como centro marítimo internacional", detalha o documento, que aponta o desenvolvimento dos serviços de gestão e arrendamento de navios, seguros marítimos ou legislação marítima na antiga colónia britânica.


O plano prevê ainda "consolidar o estatuto de Hong Kong como centro de aviação internacional", "aumentar a competitividade" dos aeroportos de Cantão e Shenzhen e "reforçar o papel dos aeroportos de Macau e Zhuhai".


Em particular, o documento refere a construção de uma terceira pista no Aeroporto Internacional de Hong Kong e a renovação e ampliação dos aeroportos de Macau, Cantão e Shenzhen.


"Realizaremos ainda trabalhos preparatórios para a construção de um novo aeroporto em Cantão", indica.


O plano aponta também o desenvolvimento das ligações rodoviárias entre o leste, oeste e norte de Guangdong e entre a Grande Baía e as províncias e regiões vizinhas.


E refere a construção de várias autoestradas e linhas ferroviárias de alta velocidade, a ligar as cidades da Grande Baía, mas também a conectar a região com os países da ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático).


"O objetivo é reduzir para uma hora o acesso entre as principais cidades na Área da Grande Baía", revela.


O documento promete "inovar" os mecanismos de controlo fronteiriço na ligação ferroviária de alta velocidade Cantão-Shenzhen-Hong Kong e na megaponte Hong Kong-Zhuhai-Macau.


Até à data, a megaponte é o projeto mais emblemático construído no âmbito do desenvolvimento da Grande Baía, mas o número limitado de quotas atribuídas aos veículos locais de cada região limita a utilização da infraestrutura.


O enredo burocrático ilustra a dificuldade em integrar três diferentes entidades políticas e aduaneiras, com sistemas próprios legais, fiscais e controlo na circulação de pessoas e capitais.


Macau e Hong Kong têm leis próprias e gozam de um alto grau de autonomia, incluindo ao nível dos poderes Executivo, Legislativo e Judicial, ao abrigo da política "Um País, Dois Sistemas", que vai perdurar até 2049, em Macau, e 2047, em Hong Kong.


O documento destaca Macau, Hong Kong, Cantão e Shenzhen, como "motores essenciais" na construção da Grande Baía.


As quatro cidades "devem continuar a usar as suas vantagens competitivas (...) e fortalecer o seu efeito de contágio para liderar o desenvolvimento das regiões vizinhas", lê-se.


O documento estipula que, até 2022, a Grande Baía vai-se converter num cluster de classe mundial e, até 2035, numa área de excelência a nível internacional.


"Em 2035, os mercados abrangidos pela Área da Grande Baía devem estar altamente conectados, com um fluxo mais eficaz dos vários recursos e fatores de produção", aponta.



JPI // ANP


Lusa/fim