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Macau/99: Rocha Vieira em Lisboa para falar da transição com o PR

Arquivo Lusa 1999

Macau, 14 Abr (Lusa) - O governador de Macau vai reunir-se sexta-feira, em Lisboa, com o Presidente da República, Jorge Sampaio, para tratar de assuntos relativos ao período de transição, soube hoje a Lusa junto de fonte oficial.

Rocha Vieira que parte quinta-feira para Portugal estará de regresso a Macau no domingo.

A reunião entre Jorge Sampaio e Rocha Vieira irá permitir certamente que sejam abordadas as questões bloqueadas no Grupo de Ligação Conjunto Luso-Chinês (GLC) que se reunirá em Pequim a partir do próximo dia 20, disse a mesma fonte.

Rocha Vieira tem-se mostrado "preocupado" pelos atrasos da parte chinesa do GLC em dar resposta rápida a questões ainda não resolvidas no diálogo bilateral como a organização judiciária, a

oficialização das línguas, legislação ligada aos direitos humanos e o estatuto dos funcionários da administração portuguesa que pretendam continuar a trabalhar, como consultores, na futura Região Administrativa Especial de Macau.

Em Janeiro deste ano Rocha Vieira apelou para que a República Popular da China (RPC) tratasse das questões da transição de Macau com uma "atitude mais transparente e mais aberta".

"Numa relação franca, aberta e conjunta como é a nossa responsabilidade na transição de Macau deve haver uma grande abertura de espírito para não esconder as coisas e para a outra parte saber com o que conta", afirmou o governador de Macau.

Rocha Vieira manifestou-se também preocupado em que houvesse "tempo útil" para resolver algumas questões que aguardam uma resposta da China.

"Trata-se, no fundo, de olhar para os documentos e sobre eles ter uma opinião e ter vontade. Julgo que não é pedir muito", disse na altura Rocha Vieira.

O Presidente da República, numa recente visita a Macau, considerou que o encontro que manteve com o vice-primeiro-ministro chinês, Qian Qichen permitiu dar "um novo impulso político nesta fase final do processo negocial em que há matérias que devem ser da responsabilidade do Grupo de Ligação Conjunta e outras que devem permanecer sob a alçada das duas capitais e respectivas diplomacias".

Jorge Sampaio reconheceu, na altura, que há matérias que têm de ser aceleradas enquanto outras têm de continuar a ser debatidas.

No entanto, adiantou estar profundamente esperançado em que no final se possa iniciar um novo capítulo ainda mais rico nas relações entre Portugal e a República Popular da China.

Lusa/Fim