Macau/99: Stanley Au primeiro candidato a Chefe do Executivo
Arquivo Lusa 1999
+++ Por Gonçalo César de Sá, da Agência Lusa ++++
Macau, 11 Abr (Lusa) - O banqueiro de Macau Stanley Au vai anunciar oficialmente segunda-feira a sua candidatura ao cargo de Chefe do Executivo da futura Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) a ser criada a 20 de Dezembro de 1999.
Stanley Au (Au Chong Kit), 58 anos e presidente do Grupo Financeiro Delta-Ásia, torna-se assim na primeira personalidade de Macau a concorrer ao cargo precisamente no dia em que abre o processo de candidaturas não obstante saber, à partida, que será extremamente difícil, senão mesmo impossível, vir a ser escolhido pelo Comité de Selecção anunciado sábado em Pequim e que integra 200 individualidades de Macau.
Edmund Ho Hau Wa, 44 anos, formado em gestão numa universidade do Canadá, membro do Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular chinesa, "o supremo órgão do poder de Estado" na China, vice-presidente da Comissão Preparatória do futuro governo de Macau, vice-presidente da Assembleia Legislativa de Macau e Presidente da Associação de Bancos continua a ser o mais forte candidato ao cargo.
Edmund Ho é filho do antigo líder da comunidade chinesa de Macau, Ho Yin, que possuía importantes ligações com o governo comunista de Mao Zedong e que teve papel de destaque como elemento de ligação entre as autoridades portuguesas de Macau e o governo de Pequim antes do estabelecimento das relações diplomáticas.
Logo após a criação da Comissão Preparatória (CP) da RAEM, em Maio de 1998, o jornal oficial chinês de língua inglesa, "China Daily", publicou na primeira página uma fotografia do presidente
Jiang Zemin a cumprimentar Edmund Ho, o que foi interpretado como um sinal da preferência de Pequim.
A preferência das autoridades portuguesas de Macau e de Lisboa recai claramente também sobre Edmund Ho, considerado um "moderado, amigo dos portugueses e defensor de algumas das politicas que o governo português de Macau lançou, nomeadamente a estratégia de que o território pode servir de plataforma entre a Comunidade Europeia e a China".
Alguns dos actuais membros da administração portuguesa de Macau, que privilegiam as relações com Edmund Ho, consideram igualmente que, Edmund Ho a ser nomeado como Chefe do Executivo da RAEM, optará por uma administração pública em que muitos dos actuais quadros superiores terão lugar, impedindo assim "um governo demasiado chinês e patriótico" onde os locais teriam "papel secundário".
Edmund Ho publicamente tem também sido defensor da "diferença de Macau e da sua identidade própria" numa resposta clara ao princípio que se pretende para o território de "um país (a China), dois sistemas ( o socialismo para a China e o capitalismo para Macau).
Edmund Ho deverá apresentar a sua candidatura nos próximos dias e dentro do prazo legal estabelecido, que termina a 17 de Abril, sabendo-se que já possui um gabinete a trabalhar consigo há vários meses a preparar aspectos ligados ao seu futuro gabinete.
Para além de Stanley Au e Edmund Ho tudo leva a crer que Eric Yeung Tsun Man , empresário, presidente do Centro de Produtividade e Transferência de Tecnologia de Macau e membro da Conferência Política Consultiva do Povo Chinês também se apresente como candidato.
O chefe do futuro governo de Macau, que vai ser escolhido pelo Comité de Selecção de 200 elementos criado sábado em Pequim, será, obrigatoriamente, um cidadão chinês com mais de quarenta anos de idade e que viva no território há pelo menos vinte anos consecutivos.
Dos três candidatos ao cargo apenas Stanley Au anunciara claramente que pretendia concorrer ao cargo de Chefe do Executivo, enquanto que o favorito Edmund Ho se refugiou numa declaração lacónica "dizendo que estava preparado para assumir as suas responsabilidades se assim fosse necessário" e o empresário Eric Yeung tem proferido declarações contraditórias que colocam interrogações se, de facto, se candidatará.
A escolha do futuro Chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Macau pelo Comité dos 200 é considerado, no entanto, por líderes chineses de Macau como "um pró-forma" uma vez que desde há muitos meses que "só existe um candidato: Edmund Ho".
O empresário Victor Ng, presidente da Associação de Exportadores e Importadores de Macau e membro da Comissão Preparatória da RAEM, foi o que melhor resumiu a situação ao afirmar publicamente não estar interessado em candidatar-se a uma "corrida onde já se sabe quem é o vencedor".
Excluída está a participação de personalidades como os empresários Ng Fok, Susana Chou, Tina Ting Yee Ho, Tong Chi Kin, Iu Iu Cheong e Ma Iao Lai que apesar de nunca terem afirmado publicamente o seu interesse em se candidatarem, foram sistematicamente citados como "potenciais candidatos".
"São personalidades que não vão surgir na corrida a Chefe do Executivo mas terão certamente um papel de destaque e relevância noutras áreas politicas e legislativas do futuro governo da RAEM", assegurou um legislador da CP da RAEM.
O Chefe do Executivo da futura Região Administrativa Especial de Macau deverá ser escolhido no dia 16 de Maio, quando a Comissão Preparatória da RAEM voltar a reunir-se em Zhuhai, na Zona Económica Especial chinesa, vizinha a Macau.
O nome escolhido será apresentado ao governo central chinês que o nomeará oficialmente para o cargo poucos dias depois.
Com a primeira fase do processo de nomeação do futuro Chefe do Executivo da RAEM praticamente concluída começa agora uma nova fase de "lobby" destinado aos cargos da segundas e terceiras linhas do futuro executivo e ainda dos lugares de nomeação como são o caso do Conselho Executivo e dos deputados da Assembleia Legislativa a serem nomeados pelo Chefe do Executivo.
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