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Presença de Portugal em Macau é caso ‘sui generis’ – D. José Policarpo

Arquivo Lusa 1999

Macau, 25 Fev (Lusa) - A presença de Portugal em Macau "é um caso 'sui generis' que só foi possível devido ao bom entendimento entre os povos português e chinês, afirmou hoje em Macau o patriarca de Lisboa, D. José Policarpo.

"Uma tão longa permanência que coincidiu com o ciclo colonial sem, na essência, se identificar com ele, só foi possível devido ao bom entendimento, ao diálogo cultural e à simpatia mútua de dois

povos, o português e o chinês, vocacionados para valorizarem as suas diferenças na construção da harmonia", disse.

D. José Policarpo, que falava na cerimónia de inauguração das instalações do Instituto Inter-Universitário de Macau e posse do primeiro reitor, disse que "parece historicamente claro que a China

nunca renunciou à soberania sobre Macau e que Portugal a exerceu, de certo modo em seu nome, fruto desse bom entendimento".

"Não nos vamos embora como potência colonizadora envergonhada; ficamos, como amigos que sempre fomos, aceitando que a Mãe China retome o exercício da sua soberania sobre o território", afirmou o patriarca, a propósito da passagem da Administração portuguesa do território para a República Popular da China a 20 de Dezembro de 1999.

D. José Policarpo defendeu ainda que a Igreja de Macau "está profundamente ligada à idiossincrasia das gentes desta terra, teceu de tal maneira o seu passado que não poderá deixar de fazer parte do seu presente e do seu futuro".

Na cerimónia, o reitor da Universidade Católica, Manuel Isidro Alves, disse, por sua vez, que constituído o Instituto Inter-Universitário, é altura de iniciar a concretização do segundo

projecto no território que passa pelo "lançamento de uma grande escola de letras e humanidades clássicas", vocacionada para "efectuar uma preparação em línguas que fundamente o ensino das humanidades na Universidades".

Isidro Alves considerou ainda que a recompensa a todos quantos possibilitaram a constituição do Instituto Inter-Universitário será a do "serviços que a instituição irá prestar às novas gerações

ajudando-as a construir um futuro mais promissor".

Por sua vez, o padre João Lourenço, empossado como reitor para os próximos quatro anos, assinalou que o Instituto Inter-Universitário aceita o seu trabalho em Macau como "uma missão"

e como um "espírito de serviço a Macau e à cultura".

"Queremos que esta instituição seja uma porta aberta a acolher múltiplos saberes, diversidade de experiências, formas variadas de estar na vida e de partilhar o património comum da humanidade - seus valores, sua cultura, suas experiências", afirmou.

O reitor da instituição assinalou ainda que "Macau precisa de ser esta porta aberta pela qual podem circular valores diferentes e culturas que se complementam, contribuindo para enriquecer o povo chinês e a cultura chinesa, possibilitando também a nós aprender e partilhar".

Em actividade desde Abril de 1997, o Instituto Inter-Universitário de Macau resulta da actividade da Fundação Católica para o Ensino Superior de Macau, cujos associados são a

Universidade Católica Portuguesa e a Diocese de Macau.

A criação da fundação que deu origem ao instituto era "um sonho" de D. José Policarpo enquanto reitor da Universidade Católica e que Mário Soares apoiou enquanto Presidente da República.

O Instituto Inter-Universitário de Macau ministra cursos de mestrado e pós-graduação nas áreas de Gestão, Ciências da Educação e Tecnologia da Informação tendo actualmente três programas a decorrer.

Lusa/Fim