Macau/99: Portugal vai passar testemunho “com orgulho”, Mário Soares
Arquivo Lusa 1999
Macau, 25 Fev (Lusa) - Na hora da transferência da administração de Macau para a China em 20 de Dezembro "Portugal está em condições de passar o testemunho com orgulho" disse hoje em Macau o ex-Presidente da República Mário Soares.
"Quando soar a hora da transferência da administração de Macau para a China, Portugal está em condições de passar o testemunho com orgulho pela obra realizada, à vista de todos, com o objectivo, sempre prosseguido, de evitar tensões e de contribuir para um clima de acentuado bom entendimento e de paz", disse.
Mário Soares era Presidente da República quando foi assinada em 1987 a Declaração Conjunta Luso-Chinesa que marcou a data da transferência de poderes no território.
"A China conhece-nos bem (...) sabe principalmente que Portugal na União Europeia será sempre uma voz de abertura, de diálogo, de compreensão e de amizade em relação à China, directamente
e por intermédio de Macau, território a que Portugal - desinteressadamente, repita-se - está tão funda e emotivamente ligado", acentuou.
O ex-Chefe de Estado falava ao proferir a oração de sapiência na inauguração das instalações e posse do primeiro reitor do Instituto Inter-Universitário de Macau (IIUM), escola de estudos de
pós-graduação criada no território pela Universidade Católica Portuguesa.
Soares apontou o IIUM como instrumento importante da "especificidade cultural, histórica, linguística, religiosa, económica e jurídico-administrativa" de Macau - consagrada na fórmula
um país dois sistemas que a China irá fazer presidir à transferência da administração - que confere ao território "algum realce e um interesse específico para um país continente vastíssimo que é a
China".
"Estejamos todos, chineses, macaenses e portugueses, à altura das nossas históricas responsabilidades e do belo intercâmbio de civilizações, de religiões e de culturas que sempre soubemos promover neste singular território de Macau", concluiu.
Em declarações posteriores a jornalistas, Soares manifestou-se confiante no sucesso da transição e da transferência da administração de Macau, considerando ser do interesse de Portugal mas também da China a resolução "atempada e conveniente" de questões ainda pendentes.
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