Macau/99: Portugal continuará a acompanhar Macau depois da transferência
Arquivo Lusa 1999
Macau, 23 Fev (Lusa) - Portugal continuará a acompanhar a evolução de Macau depois da transferência da administração para a China em 20 de Dezembro, afirmou hoje o governador do território, Rocha Vieira.
"Porque acreditamos no futuro de autonomia de Macau, porque consideramos que o projecto chinês de um país dois sistemas também é, no que se refere a Macau, um projecto de Portugal, continuaremos a acompanhar Macau no seu futuro, dentro do quadro de responsabilidades que está definido na Declaração Conjunta que Portugal e a República Popular da China assinaram e respeitarão", disse Rocha Vieira.
O governador - que falava na recepção comemorativa do Novo Ano Lunar oferecida pela agência Xinhua, a representação oficial de Pequim no território - considerou o ano de 1999 (ano do Coelho no calendário lunar) o "fim da transição" e o "princípio da autonomia" de Macau, defendendo que "Portugal não entende este fim e este princípio como um corte na continuidade da História".
Para Rocha Vieira, o fim da transição "será o fim de um longo período, medido em séculos, de responsabilidade administrativa de Portugal sobre os destinos de Macau" e o princípio da autonomia "será o princípio de um quadro de afirmação de Macau" na continuação dos "caminhos da prosperidade, da estabilidade, da responsabilidade social e da afirmação das regras universais da justiça, com respeito pelo direito escrito, pelo direito de defesa e pelos direitos humanos".
"Temos orgulho no que foi feito em Macau e por Macau, temos a convicção profunda que, em todas as circunstâncias históricas, foi sempre afirmada e nunca posta em causa a amizade de Portugal com a China, foi sempre procurado o entendimento", disse ainda Rocha Vieira.
"Neste ano do Coelho justifica-se recordar que seguimos o caminho da prudência e do equilíbrio desde que, também no ano do Coelho (em 1987), iniciámos este percurso de modernização e de consolidação das instituições próprias de Macau com a assinatura da Declaração Conjunta", concluiu.
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