Covid-19: Efeito no comércio internacional pode custar 700 mil ME no 1º trimestre – Euler Hermes
Lisboa, 01 abr 2020 (Lusa) -- O isolamento social e as restrições fronteiriças implementadas pela UE e EUA no âmbito da covid-19 poderão custar cerca de 700 mil milhões de euros ao comércio mundial no primeiro trimestre, segundo estimativas da Euler Hermes, acionista da COSEC.
Segundo a especialista em seguros de crédito, o combate à pandemia colocou a economia internacional "em turbulência".
"O crescimento mundial, que a Euler Hermes já esperava que desacelerasse ligeiramente (2,4%, contra os 2,5% registados em 2019), está agora estimado em 0,8%", refere.
Na Europa, o cenário é de "forte recessão" e o Produto Interno Bruto (PIB) da zona euro, tal como o da Alemanha, a maior economia europeia, deverá registar uma contração de -1,8%.
Em Itália, o país até agora mais afetado pela pandemia, o crescimento ficará nos -3,5% e o dos Estados Unidos deverá ser de 0,5%.
"Isto, considerando um mês de fortes medidas de contenção da propagação do vírus. Se as medidas se prolongarem por mais um mês, a fatura sobe. Na Europa, por exemplo, o impacto no PIB será de -4,4%", refere.
A Euler Hermes estima assim que cada mês de medidas de contenção tenha um impacto de entre 20 e 30% no crescimento das economias.
Segundo a seguradora, antes da epidemia do novo coronavírus, já se antecipava uma desaceleração económica internacional, mas em muito menor escala.
"O atual surto reforçou largamente esta tendência, uma vez que está a colocar as economias e as empresas sob uma pressão intensa. A análise da Euler Hermes aponta para um aumento de 14% das insolvências em todo o mundo durante o ano de 2020 (16% na Europa Ocidental)", avisa.
O volume de negócios das empresas da zona do euro deverá ter uma quebra entre 15% e 25% até ao pico da crise, no final de março.
As margens operacionais podem decrescer entre 1 e 1,5 pontos percentuais.
Assim, apesar das intervenções dos governos para apoiar empresas (como adiamentos de impostos, empréstimos ou garantias estatais), que deverão ajudar a limitar os danos, o atual contexto de bloqueio da economia poderá levar à falência cerca de 7% das PME da zona euro, cerca de 13 mil negócios.
Segundo a Euler Hermes, "10% do total de empresas em risco estão em França, perto de 9% na Alemanha, 8% na Bélgica, 6% em Espanha e 5% em Itália. As insolvências vão aumentar principalmente em Itália (18%), Espanha (17%) e Holanda (21%). A Alemanha (7%), a França (8%) e a Bélgica (8%) também deverão registar um aumento maior de insolvências do que o previsto antes da pandemia".
Os setores que correm maior risco são a construção, o setor agroalimentar e o dos serviços.
Ainda segundo a Euler Hermes, esta pausa na atividade económica coloca 65 milhões de empregos em risco ou a precisarem de apoio dos governos.
Contudo, uma vez que, embora seja acentuada, esta crise económica é de natureza temporária, os economistas apontam para que a taxa de desemprego na zona euro aumente apenas um ponto percentual, para pouco mais de 8%.
"Isto significa que poderá haver uma perda de até 1,5 milhões de postos de trabalho nos próximos 12 meses, particularmente os trabalhadores independentes ou com contratos temporários", indica.
Assumindo que as medidas de contenção são bem-sucedidas, espera-se uma recuperação em "U" da atividade económica no segundo semestre de 2020.
"Contudo, a recuperação rápida não se aplicará a todos os setores, especialmente aos de retalho e turismo, que têm uma evolução mais lenta", refere.
O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 828 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 41 mil.
Dos casos de infeção, pelo menos 165 mil são considerados curados.
Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.
O continente europeu, com mais de 458 mil infetados e mais de 30.000 mortos, é aquele onde se regista atualmente o maior número de casos, e a Itália é o país do mundo com mais vítimas mortais, com 12.428 mortos em 105.792 mil casos confirmados até terça-feira.
A Espanha é o segundo país com maior número de mortes, registando 8.189, entre 94.417 casos de infeção confirmados, enquanto os Estados Unidos são o que tem maior número de infetados (189.633).
A China, sem contar com os territórios de Hong Kong e Macau, conta com 81.554 casos (mais de 76 mil recuperados) e regista 3.312 mortes.
Além de Itália, Espanha e China, os países mais afetados são Estados Unidos, com 4.081 mortes, França, com 3.523 mortes (52.128 casos), e o Irão, com 2.898 mortes (44.606 casos).
O número de mortes em África subiu para 173, com os casos confirmados a ultrapassarem os 5.000 em 48 países, de acordo com as estatísticas sobre a doença no continente.
Em Portugal, segundo o balanço feito na terça-feira pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 160 mortes, mais 20 do que na véspera (+14,3%), e 7.443 casos de infeções confirmadas, o que representa um aumento de 1.035 em relação a segunda-feira (+16,1%).
Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 02 de março, encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de 19 de março e até às 23:59 de 02 de abril.
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