Covid-19: Junta de Matosinhos questiona APDL sobre medidas à chegada de navios
Matosinhos, Porto, 12 mar 2020 (Lusa) -- A União de Freguesias Matosinhos/Leça da Palmeira, concelho de Matosinhos, solicitou hoje esclarecimentos à Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL) sobre medidas preventivas implementadas no âmbito da contenção à pandemia de Covid-19.
"As operações dentro do porto, a par do desembarque das tripulações e passageiros, merecem uma especial cautela e precaução, nomeadamente com medidas de rastreio e de prevenção para evitar o risco de uma eventual propagação da Covid-19, dentro e fora do Porto de Leixões", afirma o presidente da Junta de Matosinhos/Leça da Palmeira, Pedro Sousa, citado em comunicado.
O autarca acrescenta que o Porto de Leixões pela "enorme importância para a economia nacional, movimenta, diariamente, milhares de toneladas de mercadorias", somando-se o facto de pelo Terminal de Cruzeiros passarem "centenas e centenas de cidadãos, oriundos de vários pontos do mundo".
"Quais as medidas, de caráter preventivo, implementadas neste momento? Estão os passageiros dos cruzeiros e tripulações a ser objeto de avaliação da sua temperatura corporal? Qual o procedimento existente, junto das tripulações dos navios de carga e trabalhadores que operam no porto de Leixões, para aferir se existe um eventual risco de infeção (...)?, questiona Pedro Sousa, avançando que tem recebido vários pedidos de esclarecimento por parte da comunidade local.
O presidente da Junta de Matosinhos/Leça da Palmeira recorda que nesta freguesia do distrito do Porto muitos serviços públicos do município e da freguesia estão encerrados, tendo sido suspensas várias atividades.
O autarca acrescenta que, a somar "ao cancelamento de várias rotas aéreas e que a Região Autónoma da Madeira anunciou que vai suspender a atracagem de navios cruzeiro", pelo que insiste em saber quais "as medidas em vigor e se a APDL pondera seguir exemplos de outros portos e adotar medidas mais restritivas?".
A agência Lusa contactou a APDL que indicou que antes da chegada de qualquer navio, nos quais se incluem os navios de passageiros, são acionadas as orientações e procedimentos da Autoridade de Saúde Portuária que estão plasmadas no Plano de Contingência da Autoridade Portuária do Porto de Leixões e que seguem as orientações da Direção-Geral da Saúde.
Esta autoridade portuária garantiu ainda, à Lusa, que analisa "impreterivelmente" várias medidas, nomeadamente saber se os dez últimos portos escalados pelo navio fazem parte dos portos/locais de risco, para o que foi desenvolvido um automatismo suportado por uma APP específica de identificação de todos os navios e portos escalados anteriormente.
Saber quais as nacionalidades dos tripulantes e se constam da lista de países de risco, bem como se as nacionalidades dos passageiros constam da lista de países de risco e se o inquérito sobre o estado sanitário de bordo, elaborado pela equipa médica do navio, atesta não haver qualquer problema sanitário ou suspeição, são ouros dos procedimentos.
O novo coronavírus responsável pela Covid-19 foi detetado em dezembro, na China, e já provocou mais de 4.600 mortos em todo o mundo, levando a Organização Mundial de Saúde a declarar a doença como pandemia.
O número de infetados ultrapassou as 125 mil pessoas, com casos registados em cerca de 120 países e territórios, incluindo Portugal, que tem 78 casos confirmados.
A China registou nas últimas 24 horas 15 novos casos de infeção pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), o número mais baixo desde que iniciou a contagem diária, em janeiro.
Até à meia-noite de quarta-feira (16:00 horas em Lisboa), o número de mortos na China continental, que exclui Macau e Hong Kong, subiu em 11, para 3.169. No total, o país soma 80.793 infetados.
Face ao avanço da pandemia, vários países têm adotado medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena inicialmente decretado pela China na zona do surto.
A Itália é o caso mais grave depois da China, com mais de 12.000 infetados e pelo menos 827 mortos, o que levou o Governo a decretar a quarentena em todo o país.
Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) atualizou hoje o número de infetados, que registou o maior aumento num dia (19), ao passar de 59 para 78, dos quais 69 estão internados.
A região Norte continua a ser a que regista o maior número de casos confirmados (44), seguida da Grande Lisboa (23) e das regiões Centro e do Algarve, ambas com cinco casos confirmados da doença.
O boletim divulgado hoje assinala também que há 133 casos a aguardar resultado laboratorial e 4.923 contactos em vigilância, mais 1.857 do que na quarta-feira.
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