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Governo chinês defende interdição à entrada do diretor da HRW em Hong Kong

Pequim, 13 jan 2020 (Lusa) - O Governo chinês defendeu hoje a sua decisão de negar a entrada em Hong Kong ao diretor da Human Rights Watch (HRW), acusando a organização de defesa dos Direitos Humanos de incentivar os protestos na região.


"Trata-se de um direito soberano da China autorizar ou não a entrada de alguém no seu território", defendeu Geng Shuang, porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, em conferência de imprensa.


Hong Kong é palco, desde junho passado, de protestos quase diários, marcados por cenas de vandalismo e confrontos com a polícia, para denunciar a interferência de Pequim nos assuntos da região semiautónoma, e exigir reformas democráticas e uma investigação independente à alegada brutalidade policial.


Pequim acusa regularmente entidades e países estrangeiros, principalmente os Estados Unidos, de incentivarem as manifestações em Hong Kong, ao apoiarem publicamente os manifestantes ou receberem figuras do movimento pró-democracia.


"Inúmeros factos e evidências mostram que esta organização apoiou, por vários meios, indivíduos que cometeram ações anti-China e causaram a desordem em Hong Kong", acusou Geng.


"Ele tem grande responsabilidade pela situação caótica em que Hong Kong hoje se encontra. Este tipo de organizações merece ser punida, deve pagar o preço".


O diretor da HRW, Kenneth Roth, revelou no domingo que as autoridades de Hong Kong o proibiram de entrar no território, onde ele tinha planeado apresentar o relatório anual da organização não governamental, que tem sede em Nova Iorque.


"Eu queria destacar os ataques cada vez mais fortes de Pequim contra os esforços internacionais para apoiar os direitos humanos", disse.


"Esta recusa é uma ilustração vívida desse fenómeno", argumentou.


Em dezembro passado, a China anunciou sanções - sem especificar a sua natureza - contra ONG americanas, incluindo a HRW, em retaliação contra a aprovação pelo Congresso norte-americano de uma lei que apoia os manifestantes de Hong Kong.


Na origem da contestação está uma polémica proposta de emendas à lei da extradição de Hong Kong, entretanto retirada formalmente pelo Governo de Hong Kong, e que permitira extraditar criminosos para outras jurisdições, incluindo para a China continental.



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