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Óbito/Teresa Tarouca: Fadista de “Saudade, silêncio e sombra”, a primeira a cantar Pessoa – PR

Lisboa, 11 nov 2019 (Lusa) - O Presidente da República lembrou hoje que Teresa Tarouca foi a primeira a adaptar poemas de Fernando Pessoa para fado, e sublinhou a fadista de "Saudade, silêncio e sombra" será recordada pelas suas "canções melancólicas".


"Pela sua carreira recebeu, em 2013, o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique. E conquistou a admiração dos seus pares e do público, que recorda as canções melancólicas de Teresa Tarouca, fadista de 'Saudade, silêncio e sombra'", lê-se numa mensagem de Marcelo Rebelo de Sousa, publicada na página da Presidência da República, sobre a morte da fadista, ocorrida hoje, aos 77 anos.


O Presidente da República recorda que a fadista, que foi influenciada por Amália Rodrigues e Maria Teresa de Noronha, começou a cantar ainda criança e, aos 22 anos, já tinha gravado um disco e vencido um Prémio Bordalo Casa da Imprensa.


Intérprete de fado clássico, Teresa Tarouca cantou temas de Alfredo Marceneiro e João Ferreira-Rosa e tinha especial apreço por Pedro Homem de Mello, como demonstra o álbum "Tereza Tarouca canta Pedro Homem de Mello" (1989), acrescenta a nota de pesar disponibilizada no site da presidência da República.


A fadista Teresa Tarouca morreu hoje, no Hospital S. Francisco Xavier, em Lisboa, vítima de pneumonia dupla, disse fonte familiar à agência Lusa.


O corpo de Teresa Tarouca seguirá hoje, às 17:00, para a Basílica da Estrela, onde ficará em câmara ardente. Na terça-feira, haverá, pelas 10:30, uma missa de corpo presente, seguindo depois o funeral para o Crematório do Cemitério dos Olivais, também em Lisboa.


Nascida em janeiro de 1942, Teresa de Jesus Pinto Coelho Telles da Silva adotou o nome artístico de Teresa Tarouca, indo buscar um velho apelido de família.


"Testamento", na década de 1960, "Mouraria", "Deixa que te cante um fado", "Saudade, silêncio e sombra", "Meu bergantim", "O resineiro", "Fado, dor e sofrimento", "Passeio à Mouraria", "Ora bate, bate" contam-se entre os sucessos de Teresa Tarouca.


Oriunda de uma família ligada à música -- é prima de Frei Hermano da Câmara e prima afastada de Maria Teresa de Noronha --, Teresa Tarouca começou a cantar aos 11 anos em espetáculos de beneficência, o que levou especialistas em música a considerarem-na a "menina-prodígio" da década de 1950.


No fado, estreou-se aos 13 anos, no Salão dos Bombeiros de Oeiras, tendo em 1958 recebido o 'Óscar' da Imprensa, segundo o 'site' do Museu do Fado.


Em 1962, assinou o primeiro contrato de gravação, com a então editora RCA, e, em 1964, recebeu o prémio da Imprensa, ou Prémio Bordalo da Casa da Imprensa, na categoria Fado.


Cantou poemas e músicas de fados clássicos de autores como António de Bragança, João de Noronha, Alfredo Marceneiro, Pedro Homem de Mello, Francisco Viana, Maria Manuel Cid, Casimiro Ramos, João de Noronha, Nuno de Lorena, João Ferreira-Rosa, Alda Lara e Tiago Torres da Silva, entre outros.


Durante a sua carreira artística, a fadista apresentou-se em palcos de vários países, nomeadamente, Dinamarca, Bélgica, Espanha, Estados Unidos da América, Brasil e Macau.


Em 1989, foi editado o disco "Tereza Tarouca canta Pedro Homem de Mello", trabalho considerado emblemático na carreira da fadista.


Em maio de 1994, comemorou os 33 anos de carreira no Teatro Tivoli, em Lisboa, tendo continuado a cantar com regularidade.


Em 1996, atuou no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, e, em 2003, no restaurante e casa de fados Velho Páteo de Sant'Ana, em Lisboa, onde foi fadista residente.


A última atuação de Teresa Tarouca em público data de outubro de 2013, durante a VIII Gala Amália, no Teatro S. Luiz, em Lisboa, onde recebeu o Prémio Amália de Carreira.



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Lusa/fim