UE/Comissão: Relações com Macau vão manter “rumo e estratégia”, diz Rocha Vieira
Arquivo Lusa 1999
Macau, 16 Mar (Lusa) - As relações entre a União Europeia (UE) e Macau vão manter "o rumo e a estratégia", apesar da demissão da Comissão Europeia, mas poderão sofrer efeitos negativos no ritmo de concretização de projectos, disse hoje o governador do território.
"As relações entre Macau e a UE não serão fundamentalmente afectadas pela demissão da comissão. As relações estão institucionalizadas e consolidadas e não vão ser alteradas nem no seu rumo nem na sua estratégia", disse Rocha Vieira ao referir-se hoje ao relacionamento entre o território e a UE na sequência da demissão em bloco dos membros do executivo europeu.
"Naturalmente que um acontecimento como a demissão da Comissão Europeia (CE) provoca sobressaltos que poderão ter efeitos negativos", referiu o governador, admitindo que Macau venha a ser afectado "no ritmo da tomada de decisões para a concretização de projectos".
Macau aguarda a criação de uma representação permanente da Comissão Europeia no território antes da transferência da administração para a China em 20 de Dezembro.
O estabelecimento da representação da CE em Macau - sugerida durante uma visita do presidente demissionário da CE, Jacques Santer, a Macau em 02 de Setembro de 1998 e acordada em contactos bilaterais subsequentes - tem sofrido atrasos e Rocha Vieira considerou hoje que "estremecimentos como a demissão da CE podem ter efeitos positivos no sentido de dar um abanão a processos burocráticos instalados".
"Depois deste primeiro abalo, alguma coisa poderá acontecer no sentido positivo de uma tomada de consciência de que a burocracia em Bruxelas é muita e que as decisões devem ser tomadas no tempo correcto, criando agora uma força de regeneração", disse Rocha Vieira.
Rocha Vieira referiu também que a realização em Macau de uma reunião da Comissão Mista Macau/União Europeia, marcada para 17 e 18 de Maio, poderá vir a ser afectada.
Os comissários europeus decidiram demitir-se em bloco na noite de segunda-feira na sequência de um relatório independente sobre irregularidades no funcionamento da Comissão Europeia.
O relatório, elaborado por um grupo de cinco personalidades independentes, o chamado Colégio de Sábios, responsabiliza colectivamente os comissários europeus por numerosas irregularidades de funcionamento da instituição e, ainda, de laxismo no combate a fraudes e outras ilegalidades.
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