Tríades: Líder da 14K condenado a 15 anos – resumo
Arquivo Lusa 1999
Macau, 23 Nov (Lusa) - O líder da tríade 14K, Wan Kuok Koi, foi hoje condenado pelo Tribunal de Instrução Criminal de Macau a 15 anos de prisão.
O principal arguido do processo das seitas em Macau foi condenado num cúmulo jurídico de 15 anos, 12 dos quais por pertencer e dirigir a seita 14 quilates.
Na leitura da sentença, o juiz Fernando Estrela, presidente do colectivo e que foi coadjuvado pelos juízes Sam Hou Fai e Lai Kin Hong, sentenciou ainda Wan Kuok Koi a seis meses de prisão por violação de correspondência ou telecomunicações.
Wan Kuok Koi foi ainda condenado a 18 meses por exploração ilícita de jogo e usura para jogo e a seis anos mais 120 dias de multa à taxa diária de mil patacas (cerca de 24 contos) pelo crime de conversão, transferência e ou dissimulação de bens ou produtos ilícitos.
Além de Wan Kuok Koi, o Tribunal de Instrução Criminal condenou ainda Si Cheng Wan, Wong Wan Wa, Wan Kuok Hong e Lam Iok In e absolveu Chan Hak Han.
O colectivo condenou ainda à revelia Tommy Li Yiu Ming, Chan Seng Leong, Un Son Meng e Vong Tat Hou.
Si Cheng Wan foi condenado a seis anos de cadeia por associação criminosa, quatro meses de cadeia por violação de correspondência e ou telecomunicações, um ano de cadeia por exploração ilícita de jogo e usura para jogo.
Além disso, o arguido foi condenado ainda seis meses de prisão por dar emprego a imigrantes clandestinos a cinco anos acrescidos de 90 dias de multa à taxa diária de mil patacas pelo crime de conversão, transferência e ou dissimulação de bens ou produtos ilícitos.
O cúmulo jurídico para Si Cheng Wan foi de oito anos de prisão.
Wong Wan Wa foi condenada a uma pena de prisão de sete anos por associação criminosa, cinco meses por violação de correspondência e ou telecomunicações, um ano por exploração ilícita de jogo e usura para jogo e a cinco anos e 90 dias de multa à taxa diária de mil patacas por conversão, transferência e ou dissimulação de bens ou produtos ilícitos.
O cúmulo jurídico aplicado a Wong Wan Wa foi de nove anos.
Wan Kuok Hong, irmão de Wan Kuok Koi, foi sentenciado a uma pena de prisão de cinco anos por associação criminosa, um ano por exploração ilícita de jogo e usura para jogo e a cinco anos acrescidos de 60 dias de multa à taxa diária de mil patacas por conversão, transferência e ou dissimulação de bens ou produtos lícitos.
O cúmulo jurídico decidido pelo Tribunal foi de cinco anos e seis meses de cadeia.
Lam Iok In foi, por sua vez, condenada a uma prisão de cinco anos por associação criminosa, um ano por exploração ilícita de jogo e usura para jogo e a cinco anos acrescidos de 60 dias de multa à taxa diária de mil patacas por conversão, transferência e ou dissimulação de bens ou produtos ilícitos.
O cúmulo jurídico aplicado a Lam Iok In foi de cinco anos e seis meses.
Tommy Li Yiu Ming, Chan Seng Leong, Un Son Meng e Vong Tat Hou foram condenados à revelia a um cúmulo jurídico de respectivamente, nove anos e três meses, nove anos e quatro meses, nove anos e três meses e dez anos e seis meses pelos crimes de associação criminosa, violação de correspondência e ou telecomunicações, exploração ilícita de jogo e usura para jogo e conversão, transferência e ou dissimulação de bens ou produtos ilícitos.
Fernando Estrela, Sam Hou Fai e Lai Kin Hong absolveram ainda Wan Kuok Koi e Si Cheng Wan do crime de falsificação de documento.
Além das penas aplicadas aos nove arguidos condenados, o colectivo de juízes considerou ainda "perdidos a favor do território" todos os bens - veículos automóveis, imóveis, direitos, valores, quantias e objectos apreendidos aos arguidos.
Wan Kuok Koi e os restantes arguidos foram detidos pela Polícia Judiciária no âmbito de uma operação policial desencadeada a 01 de Maio de 1998, doze horas depois de um engenho explosivo ter destruído o carro do director da Polícia Judiciária do território, Marques Batista.
Um dos alegados líderes da tríade 14 quilates, Yip Seng Kin, residente de Macau, foi entretanto hoje executado na República Popular da China, juntamente com outros dois membros da mesma associação criminosa.
O Tribunal Popular Intermédio de Zhuhai, aplicando a pena capital decidida pelo Supremo Tribunal Popular da província de Guangdong, mandou executar Yip Seng Kin, 38 anos, Li Xin Wen, 23 anos, e He Zing Seng, 39 anos, considerados culpados dos crime de homicídio, rapto, tráfico de armas e roubo.
Além dos três indivíduos, o Tribunal Popular Intermédio Zhuhai, adjacente a Macau, executou hoje ainda dois outros cidadãos chineses, Li Ai Jun e Zhang Jiang Hai, por crimes cometidos em Macau, nomeadamente cinco casos de roubo em casas de penhores do território, que ascenderam a 12,4 milhões patacas (cerca de 300 mil contos).
O Supremo Tribunal Popular de Guangdong confirmou no passado dia 05 de Novembro as condenações à morte de Yip Seng Kin, Li Xin Wen e He Zing Seng, rejeitando os apelos apresentados contra as sentenças inicialmente proferidas pelo Tribunal Popular Intermédio de Zhuhai.
A 15 de Outubro, o tribunal de Zhuhai julgou Yip Seng Kin e 14 cúmplices - dois residentes em Hong Kong, dois outros em Macau e 10 no continente chinês - tendo proferido três condenações à morte e penas entre prisão perpétua e cinco anos para os restantes réus.
Na sequência deste julgamento, 12 dos condenados decidiram apelar das penas a que foram condenados tendo o Tribunal Superior de Guangdong confirmado, além das penas de morte, as restantes sentenças.
A única excepção ocorreu com uma sentença de 14 anos de prisão contra Zhu Xin Pei que foi reduzida para 13 anos.
De acordo com a legislação em vigor na República Popular da China, as sentenças de morte têm de ser aprovadas pelo Supremo Tribunal Popular em Pequim posto o que a execução dos condenados pode ter lugar.
Os condenados terão estado envolvidos numa série de crimes ocorridos entre 1994 e 1999. Yip Seng King era acusado, entre outros crimes, de ter assassinado um residente de Zhuhai em Novembro de 1998.
Os 15 condenados foram presos no passado mês de Setembro em Cantão, capital da província de Guangdong, tendo na sua posse armamento ilegal.
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