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Produção de lixo e emissão de gases deixam Macau sob forte pressão ambiental – Relatório

Macau, China, 05 jun 2019 (Lusa) -- Uma elevada produção de lixo e emissão de gases de estufa, originadas pelo aumento de turistas e da produção de energia local, deixam Macau sob uma pressão ambiental sem precedentes, apontou hoje um relatório do Governo.


O pequeno território administrado pela China, que bateu no ano passado o recorde do número de turistas, voltou a produzir mais lixo 'per capita' do que cidades como Singapura, Hong Kong e Pequim, indicou o relatório sobre o Estado do Ambiente em 2018 publicado pela Direção dos Serviços de Proteção Ambiental (DSPA).


De acordo com o relatório agora publicado, cada residente de Macau produziu, no ano passado, uma média de 2,17 quilogramas de lixo por dia, superando em larga escala, por exemplo, a capital chinesa, com uma média diária de 1,17 quilos por pessoa.


Os dados não se mostraram otimistas para a meta que o Governo quer atingir já em 2026: reduzir o lixo diário 'per capita' em 30%, um objetivo definido no Planeamento de Gestão de Resíduos Sólidos de Macau (2017-2026).


A par dos resíduos sólidos, registou-se também um crescimento substancial de 11,6% nas emissões de gases de efeito de estufa (GEE), algo que o Governo atribuiu essencialmente ao aumento da produção de eletricidade local, que cresceu 60% em 2017.


"A área com maior contributo para as emissões estimadas de GEE e CO2 [dióxido de carbono] é a da produção de electricidade local, enquanto os resíduos depositados em aterros são a principal fonte de emissão de CH4 (metano)", indicou o relatório.


Com base nos últimos registos, que datam de 2017, a percentagem das emissões dos GEE em Macau aumentou 11,4% face a 2016, enquanto a de C02 subiu 11,8%, referiu .


O crescimento do turismo é apontado pelo Governo como a principal razão para a quantidade de resíduos sólidos urbanos descartados, mas também para o consumo de electricidade e o volume de água faturada. Segundo o relatório da DSPA, o consumo de eletricidade subiu 2,9% em 2018 em relação ao ano anterior, valor semelhante ao da água, que cresceu 2,8%.


Macau, um território com cerca de 35 quilómetros quadrados, recebeu em 2018 mais de 35 milhões de turistas, um número que já não está longe do 'teto máximo' de 40 milhões de turistas por ano, segundo o Instituto de Formação Turística (IFT). O turismo da região cresceu 211% entre 1999 e 2018.


Segundo o relatório da DSPA, a pressão turística em Macau tem sido, nos últimos anos, quase três vezes superior à da região administrativa chinesa vizinha, Hong Kong.


Em 2018, ano em que o ozono foi o principal poluente atmosférico no território, o número total de dias com qualidade do ar de "Bom" e "Moderado" ultrapassou os 92%, mas desceu em comparação com o ano anterior.


A tendência crescente no consumo dos diversos recursos, a quantidade de lixo, a par do aumento do Produto Interno Bruto (PIB), da população e do número de turistas, "revelam que Macau está a enfrentar uma pressão ambiental relativamente pesada", reconheceu a DSPA.


Em contrapartida, em 2018 observou-se uma melhoria na qualidade da água potável, que "satisfez os diversos parâmetros de análise", mantendo-se "no índice verde de baixo teor de salinidade", e também uma melhoria na qualidade das águas costeiras.


Ainda assim, a DSPA alertou para o índice de avaliação da exposição não metálica continuar a ultrapassar o valor-padrão.


O Governo tem anunciado uma série de medidas ambientais, com destaque para a recente restrição sobre o uso de material descartável e imposição de taxas sobre os sacos de plástico.


Responsável pela pasta do Ambiente, o secretário para os Transportes e Obras Públicas, sublinhou, na nota de abertura do relatório, que este setor está "no centro" das agendas políticas.


"O ambiente está no centro das preocupações e das agendas políticas. Tendo em conta o posicionamento de Macau enquanto centro mundial de turismo e lazer (...) a proteção ambiental assume especial relevância", afirmou Raimundo do Rosário.



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Lusa/Fim