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PR chinês em Portugal: “Novo impulso” às relações bilaterais

Arquivo Lusa 1999

Pequim, 24 Out (Lusa) - O mais alto líder chinês visitará oficialmente Portugal na próxima semana, pela primeira vez, ilustrando o apreço de Pequim pela forma como tem decorrido a transição de Macau para a China.

"A cooperação sino-portuguesa vai desenvolver-se ainda mais", disse a porta-voz do Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Zhang Qiyue, acerca da visita de dois dias que o presidente Jiang Zemin efectuará a Portugal a partir de terça-feira.

Jiang Zemin, 73 anos, designado oficialmente como o "núcleo" da actual liderança chinesa, é também secretário-geral do Partido Comunista Chinês e presidente da Comissão Militar Central.

O presidente chinês viaja acompanhado pelo vice-primeiro-ministro e presidente da Comissão Preparatória da futura Região Administrativa Especial de Macau, Qian Qichen, e os ministros dos Negócios Estrangeiros e do Comércio Externo, Tang Jiaxuan e Shi Guangsheng, respectivamente.

Em Novembro de 1993, Jiang Zemin efectuou uma escala de um dia em Lisboa, mas, entretanto, dois presidentes portugueses já efectuaram visitas oficiais à China: Mário Soares, em 1995, e Jorge  Sampaio, dois anos depois.

A visita de Jiang Zemin ocorre sete semanas antes da transferência de poderes em Macau, o primeiro e último enclave ocidental na China, e cujo "regresso à Pátria" é visto em Pequim como "um novo passo para a completa reunificação da nação chinesa".

Para concluir a "reunificação", falta apenas resolver a questão de Taiwan, a ilha onde se refugiou o governo de Chiang Kai-Shek, após a tomada do poder pelo Partido Comunista, em 1949.

Oficialmente, a transição de Macau tem decorrido de forma "exemplar" e, para o Governo português, as relações políticas entre Portugal e a China são mesmo "excelentes".

"Desde a assinatura da Declaração Conjunta sobre Macau, China e Portugal tem cooperado bem para resolver os problemas da transição (...) A visita do presidente Jiang Zemin dará um novo impulso às  relações bilaterais", disse também Zhang Qiyue.

Durante a última fase da transição de Hong Kong, entre 1992 e 1997, os líderes chineses contrapuseram várias vezes a "boa cooperação" sino-portuguesa em Macau às "dificuldades" criadas pela administração britânica.

Até agora, porém, o Governo português ainda não satisfez a pretensão chinesa de enviar um destacamento militar para Macau antes da transferência de poderes, comprometendo o desejo de  Pequim de "assumir a defesa" do território logo às zero horas do dia 20 de Dezembro.

A Declaração Conjunta Luso-Chinesa sobre Macau, assinada em 1987, diz que o governo central chinês será responsável pela defesa do território, mas não prevê explicitamente o estacionamento de tropas.

No plano económico, as relações luso-chinesas estão "muito aquém do que é necessário e possível", disse o ministro português da Economia, Pina Moura, quando visitou Pequim em Janeiro passado.

Segundo dados chineses, em 1998, as exportações da China para Portugal somaram duzentos milhões de dólares (mais 20,7 por cento que em 1997) e as importações de Portugal, no valor de apenas 30 milhões de dólares, desceram quase 40 por cento.

Lusa/Fim