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Misericórdia de Macau distinguida com Medalha de Mérito das Comunidades Portuguesas

Macau, China, 28 ago 2019 (Lusa) - A Santa Casa da Misericórdia de Macau foi hoje distinguida com a Medalha de Mérito das Comunidades Portuguesas, um reconhecimento que "dá mais força e alento", disse o provedor da instituição à agência Lusa.


"A cerimónia de hoje, na qual se formalizou a distinção feita pela Secretaria de Estado das Comunidades é um honroso reconhecimento do esforço coletivo", que "dá mais força para continuarmos a defender e valorizar a nossa identidade, bem como o nome de Portugal no Oriente", sublinhou António José de Freitas.


"Dá mais força e mais alento" à "Santa Casa da Misericórdia, que é o espelho solidário de Macau", acrescentou, lembrando que a distinção sucede também num momento especial: no ano em que se assinala o 20.º aniversário da Região Administrativa Especial de Macau [RAEM] e os 450 anos da instituição, sempre numa "missão de índole social e de cariz humanitário".


A Medalha de Mérito das Comunidades Portuguesas (grau Placa de Honra, neste caso) procura galardoar as pessoas singulares e coletivas, nacionais ou estrangeiras, cuja ação contribua ou tenha contribuído para o fortalecimento dos laços que unem os Portugueses e lusodescendentes.


A medalha é atribuída quando se verifica a dignificação da presença de Portugal no mundo, a valorização das comunidades portuguesas nas sociedades de acolhimento e a divulgação da língua e cultura portuguesas.


Em declarações à Lusa, o embaixador responsável pelo Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong explicou que a importância da distinção justifica-se pelo "esforço e ação solidária e de apoio social de associações como a Santa Casa da Misericórdia de Macau", essenciais para se apoiar "o desenvolvimento harmonioso da sociedade" no território.


No seu discurso, durante a cerimónia, Paulo Cunha-Alves desejou que a Santa Casa da Misericórdia de Macau "prossiga a sua ação de solidariedade e que continue a ser elo de união entre todos os residentes (...), contribuindo para o multiculturalismo da sociedade da RAEM, numa perspetiva social de estabilidade, desenvolvimento e prosperidade".


A Santa Casa da Misericórdia de Macau tem um orçamento superior a 70 milhões de patacas (7,7 milhões de euros), com uma despesa mensal em salários superior a três milhões de patacas (próximo do valor que a instituição arrecada das rendas do seu património imobiliário) e um subsídio governamental que "representa apenas cerca de 25%", explicou em maio o provedor em entrevista à Lusa, no mês em que foi condecorado pelo Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa.


A obra social da Misericórdia em Macau abrange áreas como o apoio a deficientes, idosos e crianças.


Um centro de apoio a invisuais (80), um lar (135), uma creche (258) e uma loja social são estruturas que traduzem a atividade social da instituição que tem mais de 180 funcionários.


Inicialmente designada de "Confraria e Irmandade da Misericórdia de Macau", foi criada poucos anos após a fundação de Macau, como entreposto português.


O fundador, o jesuíta Belchior Carneiro, esteve mesmo ligado à fundação do Senado, em 1853, a primeira instituição política no território.


Nesse período, a instituição "contribuiu para a implementação de taxas organizadas sobre diversas atividades até então não reguladas, funcionou como banco, emprestando dinheiro, e promoveu uma lotaria muito popular", pode ler-se no site da Santa Casa da Misericórdia de Macau.



JMC/MIM // PJA


Lusa/Fim