Macau: Jornal Público revela alegados documentos secretos sobre tríades
Arquivo Lusa 1999
Lisboa, 02 Nov (Lusa) - O jornal "Público", de Lisboa, revela hoje alegados documentos secretos segundo os quais a administração portuguesa de Macau tinha sido avisada sobre o "previsível avanço das sociedade secretas de Hong Kong" no território.
Segundo o jornal, em 1995, numa "reunião bizarra" nas instalações da PSP de Macau, as quatro principais tríades avisaram as autoridades sobre o avanço das sociedades secretas de Hong Kong.
Na mesma altura, de acordo com o jornal, os quatro chefes anunciaram a criação de uma nova seita e "deixaram claro" que ia "haver uma guerra". Só três anos depois foi preso o líder da 14 Quilates, Pang Nga Koi, lembra o jornal.
O jornal, que dedica a manchete ao assunto, publica no interior duas páginas, onde diz ter consultado "documentos secretos" que estão no processo de Pang Nga Koi, os quais constam do relatório 22/95 da Repartição de Informações das Forças de Segurança de Macau.
A propósito, o jornal de Lisboa aponta as "contradições da acção das autoridades policiais e da administração portuguesa em Macau".
Segundo o "Público", a "guerra das sociedades secretas" provocou em Macau 26 mortos em 1996, 30 em 1997 e mais de 30 no ano em curso.
Noutros registos, o jornal publica ainda hoje um resumo do livro do jornalista José Pedro Castanheira sobre "Os 58 Dias Que Abalaram Macau", sobre o período da Revolução Cultural Chinesa em Macau, e um texto de Vital Moreira sobre o legado de Portugal em Macau.
Para o jurista português, especialista em assuntos constitucionais, "tudo indica que se vai chegar ao momento da transferência sem que sejam aprovadas as leis reguladoras de alguns dos direitos fundamentais essenciais, bem como da organização judiciária".
"Ora - conclui - sem garantia de direitos fundamentais e sem independência judiciária não se pode falar verdadeiramente de um Estado de Direito".
O "Jornal de Notícias", por seu turno, publica hoje uma entrevista de três páginas com Stanley Ho, onde o empresário clama que "sem jogo, Macau não tem futuro".
Stanley Ho, que tem interesses em Portugal, nomeadamente no Casino Estoril e na urbanização do Alto do Lumiar, em Lisboa, congratulou-se pelo facto de Portugal ter deixado "muito boas" infraestruturas em Macau: "temos um aeroporto muito bonito e eficiente, boas ligações aéreas, duas pontes".
"Tudo isto vai ajudar a manter a população de Macau", disse, revelando estar a construir no território a oitava torre mais alta do Mundo.
Sobre o futuro de Macau, Stanley Ho, 78 anos, diz que o território "terá de continuar a promover o turismo e o jogo, os dois principais pilares que agora suportam Macau, tal como irão suportar na futura Região Administrativa".
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