Macau/99: Entrega à China abre portas à reunificação com Taiwan – NYT
Arquivo Lusa 1999
Washington, 19 Dec (Lusa) - A entrega de Macau à China abre as portas para o que Pequim "espera ser a eventual reunificação com Taiwan," escreve hoje o jornal New York Times numa reportagem datada de Macau e dedicada à transferência da administração deste território.
A devolução do território sob a administração portuguesa à China foi hoje praticamente ignorado pelos grandes órgãos de informação norte-americanos.
O New York Times foi o único com um enviado no território. O Los Angeles Times publicou uma reportagem da agência de notícias Associated Press, enquanto o Washington Post ignorou o assunto.
Na última semana, contudo, Macau foi alvo de algumas reportagens em cadeias de televisão norte-americanas, como a ABC e a CNN. Esta última, na sua programação para a Europa Ocidental transmitiu em directo a cerimónia da transferência de administração.
Mark Landler, do New York Times. disse que, ao contrário do que aconteceu em Hong Kong, em que a entrega do território tinha sido precedida "por anos de expectativa chinesa e angústia britânica",a devolução de Macau "não é a entrega relutante de um tesouro".
O articulista do New York Times recordou que Portugal tinha tentando entregar o território a seguir à revolução de 1974, mas que a China tinha recusado a oferta.
"Desde então, a administração portuguesa tem presidido à contínua deterioração de Macau como um local de jogo de má fama e quase sinistro", escreveu o correspondente do New York Times.
Landler considerou ainda que a economia do território tem vindo a deteriorar-se, tornando-o mais do que nunca dependente do jogo.
O articulista citou uma alta entidade chinesa não identificada que vai fazer parte da administração do território como tendo dito que embora a população esteja "feliz por estar em Macau ninguém sente orgulho pelo território".
Essa alta entidade pediu o anonimato "para não ofender os portugueses".
O correspondente do New York Times fez no entanto notar que nos últimos tempos as autoridades portuguesas têm trabalhado "diligentemente" e "meticulosamente" para restaurar edifícios coloniais, construindo um novo aeroporto e pontes que ligam as diferente ilhas.
O artigo recorda ainda a "desastrosa " retirada de Portugal de África e a "trágica" retirada de Timor-Leste. E descreve "o lado negro da governação" portuguesa como sendo"um sistema político retardado com poucos chineses treinados para assumir o governo, tribunais vacilantes, uma força policial corrupta e um movimento democrático que pode ser resumido ao facto de haver exactamente um legislador eleito".
Lusa/Fim