Macau: Director da Judiciária alerta para continuação da violência
Arquivo Lusa 1999
Macau, 19 Ago (Lusa) - O director da Polícia Judiciária (PJ) de Macau reconheceu hoje que os fenómenos de violência no território são inevitáveis no futuro próximo, mesmo depois da transferência de administração de Macau para a China.
"Obviamente que a violência há-de surgir nos tempos mais próximos, até 20 de Dezembro de 1999 e depois de 20 de Dezembro, mas as polícias têm de estar preparadas para isso", disse Marques Baptista, falando por ocasião do 39/o aniversário da PJ em Macau, a primeira vez que a data é comemorada no território.
Num comunicado distribuído à imprensa por ocasião das cerimónias, a PJ garante que está "atenta a possíveis movimentações por parte das associações criminosas, principalmente no futuro próximo, sendo que até lá vão suceder-se alguns dos julgamentos mais mediáticos de toda a história da administração portuguesa".
Até à transferência da administração de Macau de Portugal para a China, a 20 de Dezembro de 1999, vai ser presente a tribunal Wan Kuok Kuoi, alegado líder da seita 14 quilates, considerada a mais poderosa do território.
"A violência existe em Macau como existe em qualquer parte do mundo. O que é preciso é que haja determinação forte e empenhada das polícias para a tentar combater e no campo da prevenção evitar que ela surja", adiantou o director da PJ de Macau.
Marques Baptista reconheceu que no decorrer de 1999 houve um aumento da violência no território, em particular dos crimes de homicídio.
No comunicado distribuído pela PJ, a instituição admite que 20 por cento dos autores morais dos crimes de homicídio já foram identificados, estando os restantes ainda em fase de investigação.
"A luta contra a criminalidade, nas vertentes de prevenção e investigação criminal, é algo que assume a maior relevância nas sociedades, tendo a PJ de Macau granjeado nesta matéria um justo e merecido prestígio", louvou o director-geral da PJ de Portugal, Luís Bonina, presente também no 39/o aniversário da congénere de Macau.
Ainda durante as cerimónias foram impostas condecorações de Mérito Profissional e de Dedicação a vários elementos da PJ de Macau, incluindo os inspectores João Barata Gonçalves e Chan Ca Sok, feridos com gravidade após a explosão de uma bomba em finais de 1998.
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