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Macau deve apostar mais na diversificação turística – especialistas

China, Macau, 01 abr (Lusa) - Especialistas consideraram hoje que Macau deve apostar mais na diversificação turística para se tornar menos dependente dos 'resorts' integrados ligados ao jogo e mais competitivo face às cidades do projeto chinês da Grande Baía, uma nova metrópole mundial.


"Os resorts integrados estão a fazer o que devem, preocuparem-se com os acionistas e com o seu negócio", apontou o professor da Universidade de Macau e especialista em 'resorts' integrados, Glenn McCartney, numa conferência realizada no território, sobre o turismo.


Defendeu ainda que "os 'resorts' integrados não fazem as coisas para Macau, fazem para o seu próprio mercado" e por isso as autoridades devem investir nesse capítulo.


"Tem de haver mais turismo cultural", apelou também o professor de Ciência Política e Relações Internacionais do Instituto Politécnico de Macau, José Sales Marques.


Na mesma linha de raciocínio, a presidente do Conselho da Associação de Feiras e Comércio de Macau, Synthia Chan, afirmou que "fala-se muito (sobre a diversificação turística) mas tem-se feito muito pouco", sublinhando ainda que "há poucos serviços de lazer".


Declarações proferidas durante uma conferência realizada no território, na Fundação Rui Cunha, como tema central Macau enquanto capital mundial de turismo e lazer inserido na Grande Baía, um projeto de criação de uma metrópole mundial que envolve as regiões administrativas especiais chinesas de Hong Kong, Macau e nove cidades [Cantão, Dongguan, Foshan, Huizhou, Jiangmen, Shenzhen, Zhaoqing, Zhongshan e Zhuhai] da província de Guangdong, no sul da China.


No total, nesta região habitam cerca de 70 milhões de habitantes e possui um Produto Interno Bruto (PIB) que ronda os 1,3 biliões de dólares, maior que o PIB da Austrália, Indonésia e México, países que integram o G20.


Estas ambições estão patentes no documento divulgado em fevereiro pelo Comité Central do Partido Comunista Chinês (PCC) e pelo Conselho de Estado (Executivo), intitulado de "Linhas Gerais do Planeamento para o Desenvolvimento da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau".


Segundo o documento, Macau, que no ano passado recebeu mais de 35 milhões de visitantes, ficará responsável por se posicionar enquanto centro mundial de turismo e lazer, mas também enquanto plataforma de serviços para a cooperação comercial entre a China e os países de língua portuguesa.


Tanto para Glenn McCartney como para José Sales Marques, um dos desafios mais importantes para o turismo na Grande Baía prende-se com o facto de existirem três jurisdições e governos diferentes dentro do mesmo espaço (Hong Kong, Macau e China continental).


"O desafio será como meter três administrações turísticas a colaborarem entre si", afirmou Glenn McCartney.



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