Macau/99: Visita do PR chinês a Lisboa ajudou a “clarificar” questões da transição, diz Rocha Vieira
Arquivo Lusa 1999
Macau, 04 Nov (Lusa) - A visita do presidente chinês, Jiang Zemin, a Portugal foi "muito importante para clarificar ao mais alto nível" aspectos do processo de transição do território que se "vinham arrastando", considerou hoje o governador Rocha Vieira.
Regressando a Macau de uma deslocação a Portugal, Rocha Vieira adiantou que, relativamente aos assuntos que se vinham arrastando, "era importante uma clarificação de ambas as partes para que não haja nada que possa impedir que o processo de transição termine bem e que a cerimónia de transferência seja o corolário de um processo conduzido em boa cooperação".
Depois de duas semanas em Lisboa, onde além de acompanhar a visita de Jiang Zemin manteve encontros de trabalho com as autoridades portuguesas, Rocha Vieira sublinhou que o "entendimento encontrado ao mais alto nível (durante a visita do presidente chinês) permite alimentar algumas legítimas esperanças" que alguns dos assuntos pendentes no Grupo de Ligação Conjunto poderão ser ainda resolvidos.
Durante a visita de Jiang Zemin a Portugal, foram alcançados entendimentos sobre a entrada de pessoal militar chinês em Macau antes da transferência da administração do território em 19 de Dezembro e sobre a participação do Presidente da República, Jorge Sampaio, na cerimónia oficial de transferência de poderes.
O Governador de Macau manteve ainda em Lisboa encontros com membros do Governo e participou na inauguração da nova sede da Casa de Macau, numa agenda que considerou "muito rica em contactos e de grande significado".
Antes de regressar a Macau, o Governador esteve em Vancouver, no Canadá, onde manteve encontros com a comunidade macaense local.
"A administração tem cuidado sempre muito da ligação com as comunidades macaenses e mais uma vez tive oportunidade de verificar a sua ligação, a sua grande afeição do território de origem - Macau é um ponto de referência", disse.
Rocha Vieira sustentou ainda que os contactos da administração com a diáspora "devem continuar no futuro para bem de Macau, das comunidades macaense e de Portugal, numa triangulação" que trará benefícios a "Macau e para as relações entre a China e Portugal e entre a China e a União Europeia" nas quais "Macau deve continuar a ser um traço de união".
Rocha Vieira afirmou ainda que até 19 de Dezembro a Administração Portuguesa vai "ultimar as questões de um processo de transição que a todos parece que tem todas as condições para encerrar com grande sucesso e grande êxito, principalmente porque assim tem sido conduzido durante estes quase 12 anos e sempre numa perspectiva de continuidade e de políticas de longo prazo".
Em 20 de Dezembro, Macau deixará de ser um território sob administração portuguesa para passar a Região Administrativa Especial da República Popular da China.
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