Macau/99: Transferência nas capas dos principais jornais espanhóis
Arquivo Lusa 1999
Madrid, 20 Dez (Lusa) - A transferência de poderes em Macau é hoje tema de primeira pagina de quase todos os jornais espanhois, para os quais a China olha agora para Taiwan.
"A China recupera Macau com os olhos postos em Taiwan", titula o El País, numa ideia que é partilhada pelo ABC e o La Vanguardia.
O EL País destaca, nas páginas interiores, que Portugal se comprometeu a defender as liberdades em Macau, após a devolução da sua soberania à China.
Uma fotografia da cerimónia da transferência ilustra a primeira página do El Pais, enquanto o ABC publica apenas uma do presidente da República, Jorge Sampaio, e o El Mundo opta pelo registo de uma manifestação de populares empunhando bandeiras chinesas diante do Leal Senado.
"A entrega de Macau põe fim à última colónia europeia na Ásia e a China olha agora para Taiwan", lê-se na primeira página do ABC.
"Depois de quatro séculos, Macau regressa à China+, titula o El Mundo, que sublinha também o facto de os chineses recuperarem a integridade de seu território continental.
"A China quer uma completa reunificação nacional com Taiwan depois de recuperar Macau+, titula o La Vanguardia.
Em editorial, este jornal escreve que "a devolução da colónia portuguesa não representa uma mudança de valor estratégico ou económico, mas é de uma grande importância simbólica porque representa o ponto final de quase cinco séculos de colonialismo europeu".
O jornal observa que a "ex-colónia tem um de seus maiores problemas no `gangsterismo gerado pela sua principal indústria, o jogo".
Para o La Vanguardia, a transferência de Macau "representa o reconhecimento do crescente papel da China no concerto das nacoes do seculo XXI".
O El País publica um editorial em que analisa sobretudo o papel das mafias do jogo, que podem tornar Macau "presente envenenado" para Pequim.
Para o jornal, +se este centro de casinos - uma espécie de Las Vegas oriental a que acorre a classe endinheirada chinesa - pode constituir uma fonte de receitas, também encerra o risco de estender à China os problemas da corrupção e da violência mafiosa".
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