Macau/99: Transferência em destaque na imprensa britânica
Arquivo Lusa 1999
Londres, 20 Dez (Lusa) - A imprensa britânica publica hoje fotografias do General Vasco Rocha Vieira, com a bandeira portuguesa ao peito, na cerimónia da entrega de Macau à China.
O jornal londrino The Daily Telegraph, sob a manchete "O pôr-de-sol num recanto colonial", diz que 442 anos de governo colonial europeu na Ásia terminaram ontem à noite com a entrega a Pequim de Macau, o enclave de Portugal no sul da China.
O diário destaca que grandes multidões, na sua maioria de chineses, assistiram ao arriar da bandeira portuguesa e que muitos dos portugueses presentes choraram quando a mesma, dobrada, foi entregue ao General Rocha Vieira, o último Governador de Macau.
O Daily Telegraph publica ainda passagens dos discursos dos presidentes português e chinês, Jorge Sampaio e Jiang Zemin.
O jornal mostra também uma grande fotografia da polícia de Macau tentando retirar do local da cerimónia um membro da seita FalunGong, proibida na China.
O Guardian escreve, por baixo de uma fotografia a cores do General Rocha Vieira recebendo a bandeira portuguesa, que "a entrega de Macau representa o fim do mais antigo Império do mundo, que sobreviveu aos dos seus rivais coloniais mais poderosos, como a Grã-Bretanha e a França".
O Times publica tambem a fotografia do General Rocha Vieira, apertando contra o peito a bandeira de Portugal, dizendo que as celebrações chinesas foram afectadas por um protesto de 40 membros do movimento espiritual FalunGong, incluindo uma criança de seis anos.
O Financial Times afirma, na edição de hoje, que Macau vive em ambiente de festa de carnaval e que a sua população crê que a transferência da soberania anuncia melhores tempos, após anos de recessão e guerras de 'gangsters'.
O jornal prevê que grandes multidões devem acolher calorosamente as tropas do Exército chinês, o que aconteceu, numa demonstração de que os macaenses acreditam que a presença militar da China porá termo à violência protagonizada por mafias ligadas ao jogo.
O Financial Times recorda que as lendas sugerem que a China imperial deixou Portugal pôr o seu pé em Macau em agradecimento dos esforços dos portugueses para acabar com os piratas da região.
"Agora, 450 anos mais tarde, a China talvez seja mais eficaz a tratar dos grupos de bandidos de Macau", considera o FT.
Lusa/Fim