Macau/99: Segurança vai melhorar, mas todos têm de respeitar a lei – Edmund Ho
Arquivo Lusa 1999
Macau, China, 20 Dez (Lusa) - O chefe do executivo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), Edmund Ho Hau Wah, defendeu hoje a actuação da polícia relativamente à organização Falun Gong, justificando que a lei tem de ser respeitada por todos.
"A polícia tem de desempenhar os seus deveres 100 por cento de acordo com a lei. Se alguém violar a lei, eles têm de agir. Penso que nos últimos dias, a polícia desempenhou muito bem as suas funções", afirmou o chefe do executivo.
Edmund Ho Hau Wah, 44 anos, falava durante a sua primeira conferência de imprensa desde que assumiu o cargo, às primeiras horas de hoje.
A polícia impediu domingo a realização de uma manifestação de cerca de três dezenas de membros da Falungong em Macau, alguns dos quais foram detidos temporariamente e outros levados à força pelos agentes.
A Falungong foi banida na China na sequência de uma sessão pública de meditação que reuniu 10.000 pessoas em Pequim e tornou público que conta com mais de 100 milhões de membros em todo o mundo, tendo sido vista pelas autoridades chinesas como uma organização que ameaça a segurança do Estado.
Ao ser questionado sobre a atitude do seu executivo no futuro face à actividade de grupos como a Falungong, Edmund Ho Hau Wah disse que todas as organizações têm de respeitar a lei.
Garantindo que a sua administração está preparada para lidar com a criminalidade, o chefe do executivo manifestou-se confiante em que a segurança em Macau irá melhorar, nomeadamente quando a PSP e a Polícia Judiciária forem colocadas sob a mesma tutela.
Referiu também que o executivo irá apresentar em Janeiro à Assembleia legislação que aumenta os poderes do comissariado contra a corrupção.
Relativamente aos efectivos das forças armadas chinesas estacionados desde hoje em Macau, disse que o seu executivo não os utilizará para manter a lei e a ordem na RAEM.
O recurso aos soldados terá de obedecer à Lei Básica, pelo que só ocorrerá no caso de ocorrer uma situação de "extraordinária" gravidade em termos de segurança, garantiu.
Edmund Ho Hau Wah reafirmou que tenciona visitar Portugal entre Maio e Junho de 2000, mas referiu que as datas terão de ser ainda acertadas entre as duas partes através dos canais diplomáticos.
Aos portugueses, Edmund Ho Hau Wah reafirmou igualmente que "serão sempre parte de Macau" e que serão "bem-vindos" para residir e trabalhar na RAEM.
"Do ponto de vista humano, sabemos que alguns portugueses irão atravessar alguns momentos de ansiedade após esta transição e iremos lidar com esta situação com sensibilidade e compaixão", afirmou.
Ho disse ainda que ainda não tomou qualquer decisão sobre a renovação, ou não, do actual contrato de exclusividade dos jogos de fortuna e azar quando expirar em 2001, referindo que tenciona formar uma comissão, que incluirá especialistas internacionais, para estudar a forma de melhorar a indústria do jogo na RAEM.
Questionado sobre Taiwan, admitiu que conhece mal a ilha nacionalista, cuja soberania é reivindicada pela China, mas salientou que procurará desenvolver as relações já existentes entre Macau e Taipé nos domínios do turismo, comércio e cultura.
Edmund Ho Hau Wah disse igualmente que espera que a RAEM sirva de ponte entre a Europa e a região do delta do rio das Pérolas (que inclui também Hong Kong e a província chinesa de Guangdong), sobretudo ao nível das pequenas e médias empresas.
Durante cerca de 40 minutos, o chefe do executivo da RAEM respondeu às perguntas dos cerca de 200 jornalistas em mandarim, cantonense e inglês e no final da conferência incluiu um "obrigado" em português.
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