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Macau/99: Rocha Vieira enaltece qualidades dos quadros da administração pública

Arquivo Lusa 1999

Macau, 09 Dez (Lusa) - O governador de Macau, Rocha Vieira, considerou hoje que os quadros da administração pública do território estão aptos a "ajudar com todas as forças" o futuro executivo da  Região Administrativa Especial de Macau (RAEM).

Vasco Rocha Vieira intervinha perante centenas de funcionários da administração pública local, no Jardim da Fortaleza do Monte, após ter posado para uma fotografia colectiva com direcções e chefias nas emblemáticas escadas das ruínas de S. Paulo.

"O que nos une é a continuidade", disse o governador, numa alusão à localização de quadros, cujo processo foi dado por concluído em Janeiro de 1999.

Macau dispõe de "uma administração pública jovem e motivada", da qual a população "pode estar orgulhosa", já que, na sua opinião, está em condições de "garantir o sucesso da futura RAEM".

Os funcionários públicos locais "saberão defender os interesses da população e contribuir para o progresso e desenvolvimento de Macau", sublinhou o governador, recordando que a preparação dos quadros decorreu no âmbito de um "processo de transição complexo e difícil".

Em representação dos funcionários superiores presentes, Lídia da Luz, directora dos Serviços de Apoio à Função Pública, agradeceu ao governador "o muito trabalho desenvolvido a favor de Macau e da sua administração" por Rocha Vieira e pelos secretários adjuntos.

"Foi, para Vossas Excelências, um tempo de intenso labor e de muita dedicação, mas julgo que os resultados estão à vista e são gratificantes", adiantou, expressando ainda "a certeza de que muitos  (desses) trabalhos irão projectar-se no futuro em resultados positivos para o desenvolvimento" da RAEM.

"É oportuno e de inteira justiça - acentuou - que os dirigentes e chefias da administração pública de Macau reconheçam em Vossa Excelência o enorme mérito de estadista que soube conduzir esta pequena nau, que é Macau, ao porto certo e nas melhores condições possíveis".

Lídia da Luz manifestou também - "nesta hora de mudança"- a "grande confiança (dos presentes) no destino de Macau e nos governantes da RAEM" e, particularmente, no chefe indigitado do futuro executivo, Edmund Ho.

Para a mesma responsável, "a continuidade do sistema público-administrativo está viabilizada" graças ao "êxito da localização de quadros".

"Foi esta mudança político-administrativa que lhes abriu as portas (aos dirigentes e chefias) e permitiu o seu acesso às responsabilidades que detêm", considerou.

E a concluir o seu discurso "nesta hora da despedida", Lídia Luz garantiu ao governador e aos secretários adjuntos: "milhares de flores hão-de florescer de cada uma das sementes que lançaram à terra, nesta terra do Nome de Deus, da Deusa A Ma e da Flor de Lotus".

Seis directores de serviços, em nome dos funcionários que participavam no convívio ao ar livre, ofereceram uma lembrança a Rocha Vieira.

Entre outros responsáveis, o grupo incluía o chinês Wang Zeng Yang, presidente do Instituto Cultural de Macau (oriundo do norte da China e docente de Português no ensino superior), e o português Carlos Roldão Lopes, director dos Correios de Macau (natural de Pedrógão Grande, que fala mandarim e vai manter-se em funções no território).

Para tirar a fotografia colectiva da despedida, o último governador do entreposto fundado por navegadores portugueses, no século XVI, escolheu o imponente anfiteatro de S. Paulo, símbolo da  presença lusa e da evangelização cristã.

Ao chegar ao fundo das escadas de granito, Rocha Vieira, num gesto de grande significado, apertou longamente a mão a Florinda Chan, uma directora de serviços que vai integrar o primeiro governo  de Macau após a transferência de poderes para a República Popular da China (RPC).

Entre as lembranças alusivas ao "regresso de Macau à pátria" que se encontram à venda, chama particularmente a atenção dos potenciais compradores uma "T-shirt" que representa um operário  chinês, sobre um andaime, a cobrir com tinta vermelha (bandeira da RPC) a fachada das ruínas de S. Paulo, 'ex-libris' do território.

Lusa/Fim