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Macau/99: Rocha Vieira elogia cooperação entre Portugal e a China

Arquivo Lusa 1999

Macau, 27 Set (Lusa) - A "evolução" de Macau e a cooperação entre Portugal e China "são exemplos concretos, práticos e documentados, do que devem ser as relações entre os povos nas novas  circunstâncias do presente e do futuro", afirmou hoje o governador do território.

Ao intervir na cerimónia comemorativa do 50/o aniversário da fundação da República Popular da China oferecida pela Agência Xinhua, Rocha Vieira sustentou que a longa história de Macau é a "mais sólida garantia da continuidade das relações de cooperação e de amizade de Portugal com a China".

"Soubemos, portugueses e chineses, avançar nas correntes da história sem perdermos o sentido do entendimento e da amizade, a vontade da cooperação e o sentido de respeito integral pelos  compromissos assumidos", sublinhou o governador ao salientar que esses valores "foram confirmados e reforçados" durante o período de transição.

A administração de Macau passará de Portugal para a China em 19 de Dezembro, encerrando mais de 400 anos de presença portuguesa no sul da China.

Rocha Vieira assinalou também que "na história complexa e agitada deste século, a evolução rápida da China e a sua participação activa, nas últimas décadas, no surto de crescimento económico e de protagonismo político da Ásia Oriental, ficarão como um dos grandes exemplos de capacidade de adaptação às correntes de modernização e como plataforma de progresso para o próximo século".

"Ninguém poderá ignorar, ao confrontar os urgentes desafios que o futuro nos coloca, o que tem sido o papel da China e das comunidades chinesas na configuração dos modelos e padrões de  desenvolvimento asiáticos e na construção de uma nova ordem mundial", afirmou.

Por outro lado, continuou o governador, "a demonstração que as autoridades chinesas têm feito de flexibilidade perante a alteração das circunstâncias, mantendo a linha de rumo de abertura às inter-relações com todas as partes do mundo, tem sido um contributo decisivo para a melhoria das condições de vida da sua população".

Essa abertura da China tem ainda contribuído, segundo Rocha Vieira, para a "construção de novas oportunidades para o futuro e para a garantia responsável de estabilidade nesta região e nas  relações internacionais".

Ao dirigir votos de "felicitações, grandes progressos e prosperidade para todo o povo chinês", Rocha Vieira quis também "sublinhar o papel, que na sua escala e no seu valor simbólico, Macau  representa na abertura de perspectivas para o futuro".

Ao classificar Macau como uma "cidade próspera, uma plataforma económica valiosa, com um nível de vida elevado e com serviços sociais modernos que asseguram à sua população uma efectiva qualidade de vida", Rocha Vieira defendeu que o território "tem as condições ideais para poder responder às expectativas da sua população, tem vocações e oportunidades que lhe abrem um caminho futuro de progresso e de modernização continuada".

O governador referiu ainda que a "amizade, a harmonia, o respeito mútuo e a cooperação sincera são valores que têm sido afirmados e reforçados nas relações entre o Governo de Macau e a  Agência Xinhua, permitindo enfrentar dificuldades e contornar obstáculos", e disse estar "certo" que esse relacionamento continuará até ao final do período de transição.

"Esta é a nossa obrigação comum para que Macau fique a dispor de todas as condições indispensáveis à afirmação da sua autonomia no futuro, constituindo um factor positivo para a afirmação da China, para o progresso da região e para o entendimento profundo entre Portugal e a China.

Falando para cerca de 3.000 convidados o director da Xinhua, Wang Qiren, afirmou por sua vez que o próximo passo do povo chinês será "concretizar fundamentalmente a modernização do país em meados do século XXI como um país socialista poderoso, democrático e civilizado, podendo assim contribuir ainda mais para a paz e o desenvolvimento do mundo a bem da humanidade".

Wang Qiren disse também que "os 50 anos da fundação da República Popular da China e o retorno de Macau à mãe-pátria estimulam extremamente a marcha de todo o povo chinês para o século  XXI".

Depois de recordar algumas etapas da responsabilidade da China para a constituição da Região Administrativa Especial de Macau, Wang Qiren salientou que a "cooperação sino-portuguesa e os esforços dos diversos sectores de Macau (...) já obteve resultados positivos" nomeadamente na localização dos quadros de funcionários, das leis e no estatuto oficial da língua chinesa.

"Os compatriotas e as personalidade dos diversos sectores do território estão a aguardar com grande alegria o retorno de Macau, participando activamente nos trabalhos da transição, corajosos a  assumir responsabilidades (...) e ousados a tomar iniciativas", disse Wang Qiren.

A terminar a sua intervenção, o director da delegação local da Xinhua manifestou ainda a esperança de que Portugal e a China "continuem a reforçar a cooperação para finalizar atempadamente as consultas sobre os respectivos assuntos e preparativos relacionados com as cerimónias da transferência de poderes de Macau".

Macau é um território chinês sob Administração portuguesa que reverterá para a soberania chinesa a 19 de Dezembro de 1999, integrando-se na República Popular sob a designação de Região  Administrativa Especial de Macau e regendo-se pelo principio "Um país, dois sistemas".

Lusa/Fim