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Macau/99: Pinto Machado optimista quanto ao futuro do território

Arquivo Lusa 1999

Porto, 13 Dez (Lusa) - O ex-governador de Macau Pinto Machado afirma-se optimista quanto ao futuro do território após a passagem da administração para a República Popular da China.

"Tomara que o futuro de Angola fosse o de Macau. Ninguém pode dizer que sabe o que vai acontecer amanhã, mas em relação a Macau estou optimista, porque há um conjunto de sinais que o permitem", afirmou, em declarações à Agência Lusa.

Segundo Pinto Machado, "a China está interessada no desenvolvimento de Macau, até para mostrar a Taiwan que é capaz de gerir o território respeitando as regras da economia de mercado", afirmou o ex-governador.

Outro factor que Pinto Machado considera positivo é a escolha do futuro governo de Macau, com Edmond Ho à cabeça, "um homem de 42 anos muito ligado a Portugal, num executivo cujo membro mais velho tem 50 anos".

"Isto vai contra a tradição chinesa, onde os governantes são sempre muito idosos. Monsenhor Manuel Teixeira, uma figura de referência no território, disse que Edmond Ho era o candidato de Portugal", afirmou.

O ex-governador salientou também a escolha de Raimundo do Rosário, nascido em Macau mas de família portuguesa, para chefiar a representação deste território em Portugal e para coordenar a de Bruxelas.

"É mais um sinal muito positivo, pelo que penso que não há razão para nos preocuparmos com o futuro da herança portuguesa em Macau", salientou.

Recordando a sua passagem pela liderança do governo de Macau, Pinto Machado salientou as preocupações de então em torno das negociações para a Declaração Conjunta.

"Nesse aspecto, a minha maior preocupação foi procurar prestigiar ao máximo a administração portuguesa no território, de modo a não dar à China qualquer pretexto para exigir um período mais curto para a transferência de Macau", lembrou Pinto Machado.

Esse trabalho passou, nomeadamente, pela recuperação do bairro de Mong Há, em estado de extrema degradação, "onde as pessoas viviam em condições sub-humanas".

Questionado sobre a evolução de Macau desde que abandonou o território em 1987, Pinto Machado afirmou só lá ter ido uma vez, em 1995, para a inauguração do novo aeroporto.

"Estive lá pouco tempo, cerca de quatro dias, e pude apenas confirmar o enorme crescimento da construção e da indústria hoteleira, particularmente na Ilha de Taipa", afirmou.

Lusa/Fim