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Macau/99: Nomeação de Edmund Ho poderá minar autonomia de Macau face à China – analistas

Arquivo Lusa 1999

Macau, 20 Ago (Lusa) - A nomeação de Edmund Ho Hau Wah para chefe do executivo da futura RAEM poderá ter o efeito perverso de minar a autonomia de Macau face à China, conclui um relatório da unidade de estudos da revista britânica "The Economist".

No relatório sobre Macau, relativo ao 3/o trimestre de 1999, os analistas da Economist Inteligence Unit (EIU) afirmam que à medida que a China começar a intrometer-se nos assuntos de Macau, "o que fará quase de certeza", Edmund Ho irá procurar a obtenção de consensos, ao invés de defender a população que tem a obrigação de servir.

Tal atitude evitará, segundo o relatório, que os desacordos com a China possam ficar fora de controlo, mas, ao mesmo tempo, minará a autonomia que Portugal negociou e obteve para Macau.

"Assegurar que a autonomia supostamente garantida para Macau no acordo de transferência será uma realidade não deverá ser uma das prioridades de Edmund Ho. A China assume o controlo de Macau com a economia a sair de uma recessão, com muitos funcionários públicos prestes a regressar a Portugal e com a segurança minada pelas seitas.

Preocupações com autonomia e o primado do direito vão de certeza ser remetidas para segundo plano face à necessidade de assegurar um processo suave de transferência", pode ler-se no relatório.

Relativamente à economia, os analistas da EIU afirmam ser necessário dar resposta às deficiências estruturais, sem o que as perspectivas a longo prazo não são animadoras. A economia de Macau  está baseada num número muito limitado de sectores, há um excesso de oferta sem qualquer procura a nível do imobiliário e a violência gerada pelas seitas está a afastar tanto os turistas como a  instalação de novas empresas.

Ainda falando de seitas, os relatores dizem que a eventual libertação do alegado lider de uma das seitas locais, Wan Kuok-koi, poderá ser benéfica para o governo de Edmund Ho atendendo ao facto de alguns observadores afirmarem ser a detenção de Wan um dos factores no crescendo de actos violentos em Macau.

"Caso Wan Kuok-koi seja posto em liberdade e regresse à sua actividade, a lei e a ordem em Macau poderão, de uma forma perversa, registar melhorias", pode ler-se no relatório.

Enquanto Edmund Ho já afirmou que a segurança será a principal prioridade do seu governo, os analistas da EIU realçam o papel que a China poderá desempenhar, quer directa quer indirectamente.

Citando artigos publicados na imprensa, o relatório refere que Pequim solicitou às seitas que não causem problemas em Dezembro, por ocasião da transferência de administração, e as autoridades de Zhuhai têm vindo a colaborar com as de Macau na luta contra o crime organizado.

Através do combate ao crime organizado, as autoridades de Zhuhai limitam o apoio que as seitas do continente podem dar às suas congéneres de Macau e enviam uma mensagem às tríades do território, como que uma demonstração do que lhes poderá acontecer quando a Região Administrativa Especial de Macau for instituída em 20 de Dezembro de 1999.

Lusa/Fim