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Macau/99: Melo Egídio confia no futuro do território

Arquivo Lusa 1999

Lisboa, 12 Dez (Lusa) - O primeiro governador de Macau após o restabelecimento das relações diplomáticas entre Portugal e a China,em 1979, o general Melo Egídio, considerou hoje que o futuro do território sob administração chinesa é "tranquilo" e "garantido".

"Esta minha apreciação não é de agora. Quando deixei o território, em 1981, disse publicamente que Macau tinha um grande desenvolvimento à sua frente", afirmou Melo Egídio à agência Lusa.

"Julgo até que as relações de Portugal com Macau e com a China vão intensificar-se e melhorar. Não estou a ser optimista, sou realista. Estou tranquilo.", disse.

Nuno Viriato Tavares de Melo Egídio, 77 anos, general de 4 estrelas na reforma, ex-Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, foi governador de Macau entre 09 de Fevereiro de 1979 e 17 de Fevereiro de 1981.

Apaixonado por Macau - "quem bebe a água do lilau como eu bebi fica para sempre ligado ao território" -, Melo Egídio é actualmente presidente (ainda não substituído) da Liga Multissecular de Amizade Portugal-China, associação que reúne os "apaixonados de Macau".

Melo Egídio recordou ainda à Agência Lusa a primeira visita oficial em quase 50 anos de um governador português de Macau à China- a sua - em Março de 1980.

"Fui recebido durante 20 minutos por Deng Xiao Ping, um homem notável. Ainda me lembro da sua postura e dos seus olhos pequeninos,espertos. Falei-lhe de uma certa preocupação da comunidade macaense quanto ao restabelecimento das relações diplomáticas.

"E ele respondeu-me: 'Durante anos estivemos de costas voltadas e ninguém se preocupava. Agora que somos amigos é que as pessoas se preocupam?'. Resposta notável", rematou Melo Egídio.

"E o que é certo é que as preocupações desapareceram", enfatizou.

Falando apaixonadamente de Macau, Melo Egídio elogiou o"trabalho notável" de Rocha Vieira, último governador português do território, que, disse, deixou "obra de vulto" que "muito orgulha Portugal".

"Vamos transferir um território 'sui generis' que muito nos honra e orgulha", considerou.

"Quem visita hoje o território - e eu tenho-o visitado - não pode deixar de apreciar o progresso extraordinário e visível de Macau", acrescentou.

Sobre o futuro, Melo Egídio insistiu que a "China precisa de Portugal" bem como "Portugal precisa da China".

"Portugal é membro da União Europeia, dando-se a feliz coincidência de em Janeiro assumir a presidência da União. A China precisa de se abrir ao exterior para escoar os seus produtos. Tudo se conjuga para que as relações entre os dois países melhorem.

"Portugal também tem interesse num bom relacionamento com a China, sobretudo no aspecto cultural, designadamente na preservação da língua portuguesa", disse.

"Não são só as relações bilaterais que estão em causa. Pode-se mesmo falar em relações entre o Oriente e o Ocidente", concluiu.

Lusa/Fim