Macau/99: Liberdade religiosa será respeitada após integração na China – Rocha Vieira
Arquivo Lusa 1999
Macau, 15 Dez (Lusa) - O governador Vasco Rocha Vieira manifestou-se hoje confiante que a liberdade religiosa será respeitada na Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), salientando que a questão foi alvo de um "consenso solene" entre Portugal e a China.
A legislação sobre liberdade de culto religioso "foi aprovada pelo governo de Macau depois de ter obtido o consenso solene de Portugal e da China que iria vigorar e ser respeitada" na RAEM, disse Rocha Vieira.
O governador sublinhou igualmente que a liberdade religiosa está consagrada na Declaração Conjunta luso-chinesa, assinada em 1987, e na Lei Básica (mini-constituição) da RAEM.
Rocha Vieira falava durante um encontro de despedida com um grupo de representantes dos diversos cultos religiosos, liderado pelo bispo de Macau, D. Domingos Lam, e pelo bonzo budista Sek Kei Sau.
Após cerca de 450 anos sob administração portuguesa, o território de Macau será integrado na República Popular da China a partir das zero horas de segunda-feira, com um estatuto de região administrativa especial.
Rocha Vieira aproveitou o encontro com o grupo de religiosos, que incluiu taoístas e protestantes, para reafirmar que Macau é "verdadeiramente uma terra única e singular" e constitui um "exemplo para a comunidade internacional".
"Num mundo onde infelizmente há tanta intolerância religiosa, violência, racismos, xenofobia e incompreensão (...), Macau é um exemplo magnífico de como se pode e deve viver de uma forma pacífica, tolerante, de uma forma em que há respeito por cada um", disse.
Apesar de os católicos serem minoritários em Macau - menos de dez por cento dos cerca de 450.000 habitantes -, Rocha Vieira considerou que o papel da Igreja Católica continuará a ser relevante na RAEM, dado o seu envolvimento no ensino e na assistência social.
"A Igreja Católica vai continuar a ter o seu espaço próprio e esse espaço que lhe é devido também vai ser querido, não só pela população, como pelas autoridades" da RAEM, acrescentou. D
urante o encontro, o bispo D. Domingos Lam e o bonzo Sek Kei Sau entregaram a Rocha Vieira uma escultura em bronze com o rosto do último governador de Macau, que encomendaram conjuntamente a uma artista da China.
"Manifestamos o nosso respeito ao nosso amigo, que tanto fez pelas religiões em Macau", disse o bonzo Sek Kei Sau, que agradeceu "pessoalmente" o apoio do governo de Rocha Vieira à recuperação dos templos budistas do território.
O bispo D. Domingos Lam salientou que a oferta ao último governador português de Macau de uma lembrança conjunta de budistas e católicos pretendeu significar a "amizade entre os povos de Portugal e da China".
O prelado salientou que em Macau há "harmonia entre todos os crentes de todas as religiões" e manifestou-se confiante que a integração do território da China não afectará o trabalho da Igreja Católica.
"Como rapaz de Macau, tenho toda a confiança não só em Deus omnipotente, mas também nas pessoas de boa vontade. Por isso, vamos continuar em paz e gozar todas as liberdades, enquanto respeitamos a liberdade e também a opinião dos outros", acrescentou.
No encontro, que decorreu na residência do governador, no palacete de Santa Sancha, participaram também os sete secretários-adjuntos de Rocha Vieira.
A reunião terminou com a actuação do Grupo de Danças e Cantares do Clube de Macau.
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