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Macau/99: Jorge Sampaio sentiu 500 anos de história “a passarem pelos olhos”

Arquivo Lusa 1999

Banguecoque, 20 Dez (Lusa) - Quase 500 anos de história "a passarem pelos olhos", foi como o Presidente da República Portuguesa sentiu na noite de domingo o momento da transferência da  administração de Macau para a China, confessou hoje o próprio Jorge Sampaio.

"Senti na noite passada quase 500 anos de história a passarem pelos olhos, mas foi um capítulo que foi preciso fechar", respondeu Jorge Sampaio ao ser interrogado sobre se foi com um sentimento de perda que participou na transferência de poderes que encerrou 442 anos de administração portuguesa no território.

Jorge Sampaio - que se encontra em visita oficial à Tailândia, a primeira de sempre de um chefe de Estado português ao país - disse que a transferência da administração de Macau foi um capitulo do relacionamento entre Portugal e a China que tinha de ser fechado e foi "com dignidade".

"Estou orgulhoso do que deixámos em Macau", afirmou Jorge Sampaio, referindo que a transferência de poderes foi cumprida de acordo com uma estratégia definida pelos dois países e levada a cabo "com bom entendimento".

O Presidente da República adiantou esperar que Portugal e a China "tenham a energia para consolidarem e desenvolverem o relacionamento futuro, com base no respeito mútuo, cooperação em  vários níveis e desenvolvimento económico".

Sobre o futuro de Macau, Jorge Sampaio afirmou que "a China estará certamente empenhada em que o conceito 'um país, dois sistemas' seja um sucesso".

"Um país, dois sistemas" é a obra de engenharia conceptual do falecido patriarca político chinês Deng Xiaoping que, aplicada à transferência da soberania de Hong Kong em 1997 e à transferência da administração de Macau, pretende conciliar o sistema capitalista dos territórios integrados na República Popular com o regime comunista chinês.

Lusa/Fim