Macau/99: Jardim diz que falta fechar ciclo do colonialismo
Arquivo Lusa 1999
Funchal, 17 dez (Lusa) - Macau encerra o ciclo do império português mas falta ainda fechar ciclo do colonialismo, considerou hoje o presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim.
"Macau pode muito bem fechar o ciclo do império mas ainda não fechou o ciclo colonial", disse Alberto João Jardim ao "Jornal da Madeira".
De acordo com João Jardim, enquanto a Madeira e os Açores "não tiverem o estatuto constitucional de acordo com a vontade dos respectivos parlamentos, existe, sempre, à face da Carta das Nações Unidas, uma situação colonial".
Sobre Macau, João Jardim reconhece que o "esforço cultural e de infraestruturas feitos nos últimos 10 anos salvou um pouco a face do país" e acrescenta que o general Rocha Vieira fez um "trabalho brilhantíssimo" em Macau.
"Ele é um homem sério, inteligente, bem preparado. É um patriota que fez ali um excelente trabalho", acrescenta.
João Jardim critica ainda a política portuguesa com as ex-colónias salientando que a mesma está comprometida com os "regimes africanos corruptos" onde a política de cooperação "não tem chegado às populações desses territórios".
Cabo Verde é, para João Jardim, a excepção, assim como Moçambique e São Tomé Príncipe "apesar de haver umas coisas a esclarecer".
Para o presidente do Governo Regional - que declinou um convite para estar presente na cerimónia de transição de Macau para a China -só existem duas áreas onde Portugal deve gastar dinheiro sem exigir nada em troca - educação e academias militares.
"A verdade - recorda Jardim - é que se gastou muito mais dinheiro com África do que se gastou em apoio às comunidades emigrantes".
A finalizar, João Jardim considera que, após a descolonização,Portugal sai "vergonhosamente" do ciclo do império.
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