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Macau/99: Igreja rejeita pressões políticas, Bispo D. Domingos Lam

Arquivo Lusa 1999

Hong Kong, 07 Nov (Lusa) - A Igreja de Macau rejeita todo o tipo de pressões políticas e ser usada como instrumento, disse o Bispo do território, D. Domingos Lam, citado hoje por um jornal de  Hong Kong.

Com a transferência da administração de Macau de Portugal para a China, em 19 de Dezembro, a pouco mais de um mês, a Igreja "tem de combater pressões para que Macau seja transformado em apenas mais uma cidade da China ou em instrumento de forças estrangeiras interessadas em influenciarem a China", afirmou D. Domingos Lam, citado num artigo sobre a igreja do território, publicado hoje no diário South China Morning Post.

"Não tentem transformar-nos num instrumento, a única pressão que aceitamos é a que vem de Deus todo Poderoso", disse D. Domingos Lam, referindo que já deu conta da posição da diocese de Macau não só ao Vaticano e à China, mas também a Taiwan, a Portugal, aos Estados Unidos e à União Europeia.

O artigo publicado pelo South China, intitulado "Manter a Fé em Macau", interroga-se sobre a capacidade da igreja católica no território de manter o papel preponderante na educação e assistência social que tem tido até agora e de funcionar perante o poder político como uma "voz da sociedade com autoridade moral".

O jornal cita o padre Albino Pais, director do semanário católico de língua portuguesa "O Clarim", a referir que ao contrário de Hong Kong, a Igreja Católica em Macau nunca tratou de criar uma  base sólida de cidadãos locais com elevado nível de educação e consciência social empenhados em garantirem o papel da Igreja.

O director do Centro Pastoral Diocesano para a Juventude, padre Peter Chung Che-kuen, é citado a referir que os católicos chineses de Macau nunca foram preparados para assumirem a liderança  da Igreja e que quando a actual relação estreita entre Igreja e poder político terminar com a transferência da administração para a China, "a Igreja terá de saber avançar sozinha".

"A Igreja de Macau está dividida pela existência de praticamente duas igrejas separadas, uma para católicos portugueses e outra para católicos chineses, o que cria um estado de coisas em que  a Igreja de Macau no seu todo surge demasiado enfraquecida para funcionar como uma voz com força moral", diz o artigo.

O pároco da freguesia de S. Lázaro, padre João Evangelista Lau, dá uma nota de optimismo, ao referir que depois da transferência da administração a Igreja de Macau "terá espaço de manobra (...), apesar de muita gente não estar disposta a aceitar a possibilidade de que as actividades religiosas não serão restringidas com a nova situação política".

Lusa/Fim