Macau/99: Governador apela para que portugueses de Macau apoiem chefe do executivo indigitado
Arquivo Lusa 1999
Macau, 05 Out (Lusa) - O governador de Macau apelou hoje para que as comunidades macaense e portuguesa radicada no território apoiem o chefe do executivo indigitado da futura Região Administrativa Especial de Macau.
Apoio na certeza de que Edmund Ho Hau Wah "nunca esquecerá as comunidades macaense e portuguesa", disse Rocha Vieira.
O chefe do executivo indigitado "vai precisar do apoio da comunidade macaense e da comunidade portuguesa, insubstituíveis para esse projecto tão ambicioso e tão belo que é a Declaração Conjunta", disse Rocha Vieira durante as últimas comemorações oficiais do dia 05 de Outubro em Macau, que este ano foram dedicadas à celebração da comunidade macaense.
Rocha Vieira louvou também Edmund Ho Hau-wah - que será o primeiro "governador" de Macau pós-transferência da administração do território de Portugal para a China em 19 de Dezembro - como um homem que "conhece bem Macau, gosta desta terra, é um democrata, defende os princípios da liberdade, respeita os outros e é dialogante".
Rocha Vieira - que discursou em português e "patuá", o dialecto tradicional de Macau -, garantiu também que Portugal "nunca esquecerá" o território, cujo "processo de transição de poderes e soberania foi executado de forma original, em cooperação, com sentido de responsabilidade e fundamentalmente a pensar no futuro".
"Sempre tivemos por certo que a comunidade portuguesa, e em especial dentro dela a comunidade macaense, seria aquela a quem a incerteza e a dúvida do processo de transição mais afectaria e que mais cuidados deveria merecer das autoridades, no exercício das funções que Portugal está incumbido neste território", disse o governador de Macau.
Rocha Vieira reconheceu ainda o papel da comunidade macaense na construção da história de Macau e deixou, "neste dia 05 de Outubro de 1999", uma palavra de esperança, de fé e confiança em relação ao futuro.
"Onde estiverem comunidades macaenses, estará Portugal", concluiu Rocha Vieira, que presidiu a uma sessão solene em que foram impostas 23 condecorações, 06 da República Portuguesa e 18 de Macau, a personalidades e instituições macaenses.
O arquitecto Carlos Marreiros foi agraciado com o título de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique e a presidente da Fundação para a Cooperação e Desenvolvimento de Macau, Gabriela César recebeu o título de Grande Oficial da Ordem do Mérito.
A homenagem à comunidade macaense no dia da Implantação da República Portuguesa incluiu ainda a inauguração de uma estátua a José (Adé) dos Santos Ferreira, estudioso, poeta e escritor em "patuá", língua hoje extinta mas que durante séculos uniu e foi o elemento de comunicação entre a população portuguesa de Macau.
"O Adé é um dos símbolos da comunidade portuguesa de Macau ao longo deste século (...) porque contribuiu para que o patuá seja uma língua de cultura, mesmo que infelizmente vá morrer, se é que não morreu já", disse Carlos Marreiros o autor da escultura de homenagem ao poeta.
Ao abrigo da Declaração Conjunta Luso-Chinesa, Portugal entrega o governo de Macau à República Popular da China no dia 20 de Dezembro de 1999, pondo fim a mais de 400 anos de administração portuguesa no território.
A Declaração Conjunta Luso-Chinesa, documento assinado em 1987 pelo governos de Portugal e da China, regula a transferência de administração de Macau, garantindo "pelo menos" durante os próximos 50 anos a manutenção da identidade e autonomia do território em relação ao governo de Pequim.
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