Macau/99: Falun Gong reivindica em Macau direito de reunião e libertação de membros presos na China
Arquivo Lusa 1999
Macau, 19 Dez (Lusa) - Os membros da seita Falun Gong, cuja manifestação em Macau foi dispersada pela polícia, reivindicam a libertação dos mais de 10.000 elementos presos na China e a legalização da organização, oficialmente banida pelo regime de Pequim.
Uma das participantes na manifestação Zheng Jian Ling, 31 anos, contabilista na Austrália, disse hoje à agência Lusa que a manifestação em Macau, no dia em que a administração do território passa de Portugal para a China, pretende afirmar a posição da organização de que não é um movimento político e que quer apenas ter o direito de poder reunir-se livremente.
As três dezenas de manifestantes, vestidos com impermeáveis com inscrições com as palavras de ordem da Falungong - Verdade, Benevolência, Perseverança - foram fisicamente retirados pela polícia do pequeno jardim fronteiro ao Hotel Lisboa.
"A mensagem que temos para o presidente da China, Jiang Zemin, (que entretanto chegou a Macau para participar na transferência de poderes), é de que o Falun Gong pretende resolver os problemas que existem com as autoridades através do diálogo pacífico", disse Zheng Jian Ling.
Zheng referiu que a seita solicitou às autoridades de Macau autorização prévia para a concentração, que "foi recusada sem que tenha sido dada uma justificação".
Segundo Zheng Jian Ling, os manifestantes que se concentraram em Macau vieram da China, Estados Unidos, Japão, França, Canadá, Nova Zelândia e Hong Kong.
A Falun Gong foi banida na China na sequência de uma sessão pública de meditação, que reuniu 10.000 pessoas em Pequim, durante a qual anunciou que conta com mais de 100 milhões de membros em todo o mundo, tendo sido vista pelas autoridades chinesas como um grupo que ameaça a segurança do Estado.
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