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Macau/99: Falar de segurança e ignorar o que se passa nos casinos é auto-engano (Stanley Au)

Arquivo Lusa 1999

Macau, 07 Mai (Lusa) - A questão da segurança em Macau está intimamente ligada à actividade do jogo e falar da primeira ignorando o que se passa nos casinos é apenas uma forma de auto-engano, afirmou hoje em Macau Stanley Au Chong Kit.

Ao dirigir-se aos 199 membros da Comissão de Selecção, o candidato a chefe do executivo da futura Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) adiantou não fazer sentido que se coloque  toda a responsabilidade do problema de segurança no território na ineficácia das polícias.

"Todos quantos residem em Macau sabem que sem se resolver o que se passa nos casinos nunca se resolverá o problema de segurança", disse o candidato, para acrescentar que o Governo da futura RAEM deverá supervisionar com elevado rigor o cumprimento da Lei do Jogo.

Ao longo de um discurso altamente emocionado e auto-justificativo, nomeadamente quanto a afirmações de que não tem as suas raízes em Macau e que não é um homem político, Stanley Au,  dirigindo-se de novo ao sector do jogo, defendeu o termo do actual modelo, com um concessionário único, dado que a entrada de concorrência será benéfica para o mercado.

Ainda relativamente às afirmações de que não tem as suas raízes em Macau, o candidato concedeu ter trabalhado bastante tempo em Hong Kong mas recordou ter colaborado, em 1982, com o então secretário-adjunto para a Economia João Costa Pinto, actual presidente do grupo Caixa Agrícola, na elaboração da Lei Bancária.

Confessou igualmente não ter experiência política mas, adiantou, "além de ninguém nascer político", perguntou também se "durante centenas de anos de administração portuguesa de Macau alguma vez houve oportunidade para o aparecimento de políticos".

Mais do que um Programa de Governo ou Plataforma Política, o discurso de Stanley Au Chong Kit foi uma declaração de princípios, nomeadamente sobre o que considera deverem ser as qualidades exigidas a um chefe do executivo, mas, além do jogo, não quis deixar passar em branco a questão do desemprego, cuja taxa se situa actualmente em 5,7 por cento da população activa.

Socorrendo-se de estatísticas, o candidato afirmou que o Produto Interno Bruto "per capita" em Macau é de 17.475 dólares embora o rendimento médio anual seja de apenas 7.000 dólares.

Para Stanley Au, ele próprio presidente do grupo bancário Delta Ásia, tal situação deriva do facto de a maior parte dos rendimentos gerados no território serem investidos no exterior.

"Será que podemos concordar com esta situação", questionou Stanley Au.

Lusa/Fim