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Macau/99: Escola Portuguesa tem papel fulcral na preservação da cultura lusófona

Arquivo Lusa 1999

+ + + Por Casimiro Simões, da Agência Lusa + + +

Macau, 09 Dez (Lusa) - A Escola Portuguesa de Macau (EPM), com programas curriculares idênticos aos de Portugal, vai desempenhar um papel fulcral na preservação da cultura lusófona na futura Região  Administrativa Especial (RAEM).

No ano lectivo em curso estão matriculados 969 alunos na EPM, cuja escolaridade vai do pré-escolar ao fim do ensino secundário (12/o ano).

A necessidade de assegurar a escolaridade obrigatória à comunidade de expressão portuguesa, depois de o território passar para a administração chinesa, esteve na origem da criação da Fundação da Escola Portuguesa, a que preside Roberto Carneiro, "filho" de Macau e ex-ministro da Educação.

"Mais de 70 por cento dos alunos são de Macau, sobretudo filhos de funcionários públicos com nacionalidade portuguesa", disse à Agência Lusa a presidente da direcção da EPM.

Edith Silva encara com "grande optimismo" o futuro da escola e as suas potencialidades na "preservação da nossa identidade".

"Não temos tido falta de alunos. A nossa grande aposta é no ensino das línguas, quer Português, quer Inglês", afirma.

Empenhada em ministrar um ensino de "boa qualidade", a EPM acredita que "pode ganhar a confiança da comunidade".

O corpo docente, "totalmente profissionalizado", é constituído por 70 professores. A escola dispõe de mais 35 funcionários.

"Vamos assumir um papel importante na educação de matriz portuguesa dentro de um território chinês", sublinha a directora.

Natural de Macau e licenciada em Biologia pela Universidade de Lisboa, Edith Silva assumiu a direcção da EPM logo que o estabelecimento iniciou a sua actividade, no ano lectivo de 1998/1999.

Os programas curriculares são idênticos aos de Portugal, embora ajustados à realidade geográfica e social do território.

Na origem, o património da EPM foi constituído por um fundo financeiro no valor mínimo de 500 mil contos, tendo o Ministério da Educação (ME) português garantido 51 por cento e a Fundação Oriente 49 por cento.

Aos alunos da EPM é garantida a possibilidade de prosseguirem os estudos superiores em Portugal ou ingressar na Universidade de Macau.

As directivas do Ministério da Educação são seguidas pela Escola Portuguesa no território.

A fundação a que preside Roberto Carneiro congrega o ME, a Fundação Oriente e a Associação para a Promoção da Instrução dos Macaenses, que disponibilizou as instalações da extinta Escola Comercial, no centro da cidade.

Sessenta por cento dos mais de 430 mil habitantes de Macau têm entre 15 e 50 anos de idade.

Apesar de 27,2 por cento terem nacionalidade portuguesa, apenas 1,8 por cento comunicam em Português.

Os planos curriculares das escolas do território integram as duas línguas oficiais da RAEM, Português e Chinês.

Segundo dados divulgados pelo governo de Rocha Vieira, o Instituto Português do Oriente e o Centro de Difusão de Línguas da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude ensinam Português a "milhares de alunos".

Um programa de televisão educativa, emitido diariamente pela TDM, em horário pós-laboral, proporciona aulas de Cantonês e Mandarim, no canal português, e de Português, no canal chinês.

Ao nível do ensino superior, a Universidade de Macau e o Instituto Politécnico de Macau têm cerca de uma centena de protocolos firmados com instituições congéneres de Portugal e das redes dos países de língua portuguesa, da União Europeia e da República Popular da China.

Também a Universidade Aberta Internacional da Ásia funciona em associação com a Universidade Aberta de Portugal.

Um grande número de professores portugueses, especialistas em diversas áreas do conhecimento, integra os corpos docentes da generalidade dos sete estabelecimentos locais do ensino superior.

O ministro da Educação, Guilherme d' Oliveira Martins, participou esta semana na inauguração da nova ala da EPM. O ministro, que viajou para Macau com o presidente da Fundação da Escola Portuguesa, Roberto Carneiro, realçou na cerimónia que está reservado à EPM um "papel fundamental" na preservação da "identidade própria de Macau".

Lusa/Fim