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Macau/99: Diocese católica de Macau celebra missa de acção de graças

Arquivo Lusa 1999

Macau, 19 Dez (Lusa) - A diocese católica de Macau celebrou hoje uma missa de acção de graças e louvor pela passagem da administração do território à China, terminada exactamente doze horas antes de Portugal confiar a administração do território à República Popular.

''O momento da chegada dos portugueses a Macau foi um momento de confiança, fundador, que se viria a tornar histórico. No momento da partida, esperamos que este seja outro momento histórico de confiança, fazendo votos de que Macau seja ainda uma zona de encontro, de evangelização'', disse no seu sermão o padre celebrante, João Lourenço.

António Guterres, que assistiu à missa junto com o governador de Macau, Rocha Vieira, conferiu à missa um significado importante, uma vez que é ''a última celebrada no território debaixo de administração portuguesa''.

O primeiro-ministro adiantou ainda que ''a missa tem também um grande significado, considerando que, como todos sabem, a experiência portuguesa no mundo passou pela evangelização e pela partilha''.

Aquela que foi a última missa sob administração portuguesa teve início com o incensar da estátua da Virgem Maria e que tem por trás a frase ''Rainha do Mundo, Mãe de Portugal, Amparai Macau''.

A frase, jura um dos padres do território, é para continuar, até porque ''a Igreja é uma coisa, a política é outra''.

A missa de celebração pela entrega da administração, realizada com o acordo do governo local e da diocese, foi ainda o momento para agradecer a Deus toda a história dos portugueses no território. ''A meia noite do dia de hoje não fecha a história, não celebramos um adeus sem retorno, abrimos é uma nova página que os outros continuarão a escrever.

Uma página que esperamos ser tão heróica e digna como a anterior'', declarou ainda o padre João Lourenço.

Um dos momentos mais emocionantes do que alguns mais idosos chamaram a ''missa da despedida'' foi o ofertório, onde foram levados ao altar o que o celebrante considerou os vectores essenciais de Macau - uma vela a representar a Luz, a fé trazida pelos portugueses até ao extremo oriente, e as Ruínas de S. Paulo, a lembrar as memórias da história.

Para simbolizar o '' 'Macau que nasce'' a presidente cessante da Assembleia Legislativa portuguesa, Anabela Ritchie, levou até ao altar a Lei Básica do território, a mini-constituição que vigorará na Região Administrativa Especial de Macau quando ela for instituída, à meia-noite de hoje.

António Guterres leu ainda na missa a Epístola de S. Paulo aos Romanos, que termina com a frase ''seja dada glória pelos séculos e séculos. Ámen''.

Lusa/Fim