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Macau/99: Comandante de futura guarnição fez visita para estudar aquartelamento

Arquivo Lusa 1999

Zhuhai, China, 20 Nov (Lusa) - O comandante da guarnição militar que a China irá estacionar em Macau depois da transferência da administração em 19 de Dezembro já fez uma visita, privada, ao  território para estudar possíveis locais de aquartelamento das suas tropas.

O general Liu Yue Jun disse hoje que visitou Macau para avaliar potenciais locais que poderão ser adaptados ao aquartelamento da guarnição para prevenir a actual inexistência de instalações  adequadas, pelo facto de não existirem efectivos militares estacionados em Macau desde 1975.

Liu Yue Jun adiantou - durante um encontro com jornalistas realizado na base de Nanping, 10 quilómetros a noroeste de Macau, onde as tropas do Exército Popular de Libertação aguardam a entrada no território - que no decorrer da visita ficou com uma boa impressão do território.

A guarnição chinesa poderá entrar em Macau, na madrugada do dia 20 de Dezembro, sem instalações de aquartelamento previamente preparadas devido ao diferendo entre Portugal e a China gerado pelo  anúncio unilateral por Pequim do estacionamento de tropas depois da transferência de poderes, uma decisão que Lisboa considerou "injustificada" e "desnecessária".

Um acordo alcançado entre os dois países durante a recente visita do presidente chinês, Jiang Zemin, a Lisboa prevê apenas a entrada em Macau antes da transferência da administração de uma "equipa técnica" de militares chineses.

Hoje, Liu Yue Jun referiu também que está ainda a ser estudado qual o trajecto que a guarnição irá seguir para entrar em Macau, tendo, no entanto, fontes chineses indicado anteriormente que a entrada das tropas deveria ser feita através da nova ponte Flor de Lotus, que tem a inauguração prevista para finais deste mês passando a ligar a Zona Económica Especial chinesa de Zhuhai, numa zona próxima da base de Nanping, e a ilha de Coloane.

Observadores locais referiram, entretanto, à Lusa que os responsáveis militares chineses poderão estar, no entanto, a contemplar a carga simbólica associada à entrada das tropas pela fronteira das Portas do Cerco, a fronteira histórica entre Macau e a China.

No encontro de hoje com os jornalistas, o comissário político da futura guarnição de Macau, He Xian Shu, referiu que as autoridades de Zhuhai estão já a preparar a "mobilização de cidadãos" para uma  saudação às tropas no momento da movimentação em direcção a Macau.

A China mantém a posição oficial de que o estacionamento de tropas em Macau será uma "afirmação simbólica da recuperação do exercício da soberania" sobre o território pela República Popular.

Lusa/Fim