Macau/99: China diz que poderia ter “recuperado” o território há 50 anos
Arquivo Lusa 1999
Pequim, 13 Dez (Lusa) - O Partido Comunista Chinês poderia "recuperar" Hong Kong e Macau depois de ter tomado o poder na China, em 1949, mas "face ao embargo imposto pelos Estados Unidos", preferiu manter o "status quo", disse hoje a agência noticiosa oficial chinesa.
"Embora capaz de recuperar Hong Kong e Macau logo após a fundação da Nova China, a direcção do Partido Comunista Chinês decidiu não o fazer (...). Os factos demonstraram que foi uma estratégia bem sucedida", disse a agência num artigo intitulado "Reunificação da China: o firme objectivo da liderança do Partido Comunista".
A "Nova China" (República Popular da China) foi proclamada no dia 1 de Outubro de 1949 e cerca de um ano depois, entrou na Guerra da Coreia, ao lado das tropas norte-coreanas.
Em resposta, os Estados Unidos decretaram um embargo contra a China e Taiwan, a ilha onde se refugiou o governo da antiga República da China, foi colocado sob protecção da marinha norte-americana.
Aparentemente, a liderança comunista chinesa ponderou a hipótese de "recuperar" Hong Kong e Macau.
A própria União Soviética, que era então o principal aliado da China, chegou a criticar Pequim por "consentir" a continuação do "domínio colonial europeu" no seu território.
"A manutenção do "status quo" de Hong Kong e Macau favorecia a estabilidade social naqueles dois territórios e face ao embargo imposto pelos Estados Unidos, permitia à Nova China estabelecer laços com o mundo exterior", disse a agência noticiosa oficial chinesa no referido artigo.
Segundo o mesmo artigo, as três gerações de líderes do Partido Comunista Chinês - personificadas por Mao Zedong (1893-1976), Deng Xiaoping (1904-97) e o actual presidente, Jiang Zemin - mantiveram sempre "uma posição de princípio" sobre a "reunificação da China, mas adoptaram também uma "atitude flexível".
O maior exemplo dessa "flexibilidade", e que permitiu "substanciais progressos", é a fórmula "um país, dois sistemas", lançada em 1982 por Deng Xiaoping.
Hong Kong foi integrada na República Popular da China de acordo com aquela fórmula, em Julho de 1997, e no próximo domingo acontecerá o mesmo em Macau.
"A terceira geração de líderes do PCC está confiante que depois do tranquilo regresso de Hong Kong e Macau à Pátria, a aspiração do povo chinês a reunificar o seu país está destinada a concretizar-se no novo século", disse a agência noticiosa oficial chinesa.
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