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Macau/99: Aumenta o interesse pela aprendizagem da língua chinesa

Arquivo Lusa 1999

+ + + Por Ian Whiteley, da agência Lusa + + +

Macau, 04 Dez (Lusa) - O número de pessoas em Macau que podem falar e escrever em chinês (cantonês e mandarim) triplicou desde 1985, segundo números publicados pela Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP).

Com a transferência de Macau para a China a 19 de Dezembro, a importância da língua chinesa tem aumentado substancialmente no território. Se em 1985, 25 mil pessoas conseguiam falar e escrever em  chinês, em 1998 já eram 77 mil.

De acordo com dados de 1997 e 1998 da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), enquanto 80 mil estudantes estavam inscritos em escolas onde o chinês é a principal língua de ensino, cerca de 778 adultos frequentavam cursos de língua chinesa.

O número de pessoas a estudar chinês corresponde a metade da população estudantil do território.

Em Macau, são várias as razões que levam as pessoas e estudar o chinês durante este período, mas muitos acreditam que a aprendizagem da língua lhes poderá propiciar um futuro melhor ou um emprego na Região Administrativa Especial de Macau (RAEM).

"Eu acho que é inevitável aprender o chinês se quisermos sobreviver no futuro", diz Isabel Veloso, uma secretária macaense que trabalha no Supremo Tribunal de Macau. O termo "macaense" é normalmente utilizado para identificar residentes no território com ascendência luso-chinesa.

Para Sze Wai Ching, um empregado de escritório, que está a frequentar um curso de computadores, a aprendizagem do chinês é um caminho para melhorar a sua competitividade no mercado.

Um professor da Faculdade de Educação da Universidade de Macau, que preferiu manter o anonimato, diz que o fenómeno revela a grande vontade da população do território de aprender e melhorar as suas capacidades.

"Em Macau, um mercado tão competitivo, existe a tendência para enriquecer o nosso conhecimento para além do sistema regular de ensino, enquanto outros encontram no conhecimento extra uma forma de  melhorar a sua capacidade de trabalho", declarou.

Não obstante ter sido decidido que as línguas chinesa e portuguesa terão o mesmo estatuto, há indícios de que o chinês será cada vez mais importante em Macau e que a aprendizagem da língua será essencial para sobreviver no mundo dos negócios no futuro.

"Eu estou a aprender mandarim porque o meu emprego como secretária exige o conhecimento da língua", diz Yiu Kit Yee, que trabalha numa agência de publicidade no território.

"É que nós trabalhamos com muitos chineses e sem esse conhecimento será complicado sobreviver em Macau", justifica Yiu.

Lusa/Fim