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Macau/99: Actuação policial contra membros do Falun Gong em dia de transferência de administração

Arquivo Lusa 1999

Macau, 19 Dez (Lusa) - A concentração de membros do movimento chinês Falun Gong começou pacificamente às 10:00 locais, mas terminou em violência com agentes policiais a removerem os manifestantes pela força perante as câmaras fotográficas e de televisão de todo o mundo.

Ao início estavam presentes no jardim, sobre o parque de estacionamento subterrâneo na praça frente ao Hotel Lisboa, cerca de três dezenas de membros do movimento a efectuar exercícios de meditação ao som de música budista chinesa.

Polícias eram poucos e limitavam-se a observar os acontecimentos.

Tudo iria mudar quando compareceu no local um agente policial à paisana de apelido Chung.

De imediato os quatro membros do movimento que empunhavam cartazes com dizeres em chinês e a frase "Falun Dafa" foram detidos depois de os cartazes terem sido violentamente arrebatados pela polícia.

Depois de os cartazes terem sido levados, entrou-se de novo num momento de acalmia com os membros do movimento, cuja maioria envergava um impermeável amarelo com os dizeres "verdade, benevolência e perseverança" nas costas, de pé a efectuarem os exercícios.

O "circo" da comunicação social continuava com os jornalistas e repórteres fotográficos e operadores de câmara a documentarem o acontecimento e a entrevistarem todos os membros do movimento que se mostravam abertos a divulgar as razões porque vieram a Macau neste dia, durante o qual decorre a transferência de administração.

Além disso, ninguém arredava pé para poder ser testemunha do que iria acontecer depois de anteriormente seis membros do movimento terem sido transferidos do hotel onde se encontravam para o terminal marítimo do Porto Exterior de onde foram expulsos para Hong Kong.

Uma seguidora do movimento, com quem a agência Lusa conversou, explicou ser o Falun Gong um movimento pacífico, que não tem qualquer agenda política e que luta apenas pelo direito de reunião.

Questionada se não sentia receio em permanecer em Macau após a transferência de administração para a China, Zeng Jian Ling disse não conseguir perceber porque razão deveria ser ameaçada.

"Apenas queremos tornar público que a actuação do governo de Pequim contra o nosso movimento é errada. Não fazemos mal a ninguém", acentuou.

Com um número alegado de 100 milhões de membros em todo o mundo, a esmagadora maioria dos quais na China, o Falun Gong conseguiu trazer hoje a Macau pessoas de um conjunto de países e territórios como Estados Unidos, Japão, França, Nova Zelândia, Coreia do Sul e República Popular da China e da zona económica especial de Shenzhen e de Hong Kong.

Zeng Jian Ling, a entrevistada pela agência Lusa, é natural de Sichuan, na República Popular da China.

Cerca do meio dia e vinte, o agente à paisana de apelido Chung voltou a comparecer no local e todos os jornalistas perceberam que iria ser o fim da manifestação.

Agentes da UTIP (Unidade Táctica de Intervenção da Polícia) e da Polícia de Segurança Pública, que anteriormente se tinham limitado a identificar todos os membros do Falun Gong presentes, arrastaram pela força os manifestantes até ao parque de estacionamento de onde foram levados para destino incerto.

Apertado pelas largas dezenas de jornalistas presentes, o agente de apelido Chung recusou-se identificar-se, dar o nome do seu serviço, dizer qual a justificação legal na base das detenções e para onde os membros do Falun Gong iriam ser levados.

Lusa/Fim