Macau/20 anos: Visita do Presidente chinês pode agravar perdas nas receitas do jogo – especialistas
Macau, China, 18 dez 2019 (Lusa) -- Especialistas do setor do jogo disseram hoje à Lusa que a visita do Presidente chinês a Macau pode agravar as perdas nas receitas dos casinos registadas este ano.
O fundador da Newpage Consulting, consultora especializada na regulação do jogo, defendeu que não são apenas as restrições das autoridades chinesas na emissão de vistos, por razões de segurança, que podem contribuir negativamente para os resultados de dezembro em Macau.
Para David Green, a visita de Xi Jinping a Macau (três dias, de hoje a sexta-feira) poderá ter impacto negativo sobretudo no segmento VIP do jogo em Macau.
"Não penso que as restrições nos vistos por si só tenham um impacto material sobre a receita bruta do jogo", afirmou.
"O que pode ter realmente impacto, contudo, é a maior apreensão pela crescente vigilância e policiamento ativo", seja pela preparação, enquanto o Presidente estiver em Macau, e mesmo no rescaldo da visita, acrescentou.
O especialista disse acreditar que "alguns jogadores de alto valor podem preferir ficar de fora durante esse período, em vez de serem vistos a jogar ativamente".
Isto porque "não é o número de visitantes que determina o que acontece à receita bruta do jogo, e sim o seu valor enquanto jogadores", precisou.
O advogado português especialista na área do jogo Pedro Cortés corrobora a ideia de David Green. "Concordo completamente. Já o mesmo tinha acontecido em 2014, quando [Xi Jinping] veio a Macau", sublinhou o sócio português da Rato, Ling, Lei & Cortés - Advogados.
"Todas as medidas de segurança em vigor afastam não só o mercado de massas, mas sobretudo os jogadores VIP", acrescentou.
Este facto e a inversão do peso do mercado VIP para o de massas, juntos, "terão influência", precisou o especialista.
Pedro Cortés explicou ainda que "o jogador VIP não gosta muito de ser identificado e, nestas circunstâncias, não porque esteja a cometer alguma ilegalidade, mas porque preza a sua privacidade e é por natureza discreto, é natural que evite deslocar-se a Macau".
As recentes estatísticas das autoridades de Macau apontam para uma dependência do jogo em relação ao fluxo turístico do interior da China e as agências de notação financeira têm destacado o desempenho negativo da indústria do jogo, com impacto na economia do território, atualmente em recessão técnica.
Se em 2018 as receitas dos casinos na capital mundial do jogo cresceram 14%, para 302,8 mil milhões de patacas (cerca de 33 mil milhões de euros), a receita bruta acumulada até novembro deste ano cifrava-se apenas nos 269,62 mil milhões de patacas (30,28 mil milhões de euros), registando uma perda de 2,4% em relação ao ano passado.
Os casinos de Macau fecharam mesmo o mês de novembro com receitas de 22,88 mil milhões de patacas (2,58 mil milhões de euros): uma queda de 8,5% face a igual período do ano passado, segundo os dados publicados na página 'online' da Direção de Inspeção e Coordenação de Jogos (DICJ).
Capital mundial do jogo, Macau é o único local na China onde o jogo em casino é legal. Operam no território seis concessionárias: Sociedade de Jogos de Macau, fundada pelo magnata Stanley Ho, Galaxy, Venetian, Melco Resorts, Wynn e MGM.
O Presidente chinês, Xi Jinping, chegou hoje a Macau para presidir às cerimónias do 20.º aniversário da transferência de administração do território de Portugal para a China e para dar posse ao novo Governo da região.
JMC // MP
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