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Jiang Zemin: Tropas chinesas em Macau só depois 20 Dezembro, porta-voz

Arquivo Lusa 1999

Lisboa, 26 Out (Lusa) - A China vai respeitar as "eventuais preocupações" da parte portuguesa relativamente ao estacionamento de tropas em Macau, que só deverão ser enviadas para o território após a transferência de administração a 20 de Dezembro.

A garantia foi dada hoje, em conferência de imprensa, por Zhu Bangzao, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês e da delegação do Presidente da China em visita a Lisboa.

"A China decidiu enviar forças militares para a Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) depois da transferência de administração, em conformidade com as disposições da Lei Básica e da  Declaração Conjunta Sino-Portuguesa", realçou.

Mas esclareceu: "Esta é uma decisão exclusivamente da competência soberana da China, mas, por outro lado, a parte chinesa vai ter certamente em plena consideração as eventuais preocupações da  parte portuguesa nalgumas questões" relacionadas com o estacionamento de tropas.

Na perspectiva de Pequim, o estacionamento de tropas é "um símbolo do exercício da soberania sobre Macau e também uma medida concreta para o cumprimento da responsabilidade da defesa de Macau"  prevista na Declaração Conjunta.

Após recordar que, em Junho, o Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional da China aprovou legislação sobre a futura guarnição militar em Macau, o porta-voz chinês considerou que o estacionamento das tropas "vai favorecer o desenvolvimento e a estabilidade da RAEM no futuro".

"Na questão do estacionamento das tropas as partes chinesa e portuguesa já não têm qualquer divergência. Agora estão a ser tratados os aspectos concretos em relação ao tempo da entrada e ao  número de efectivos do pessoal avançado".

Depois de referir que as consultas prosseguem entre as duas partes, Zhu Bangzao disse: "Não acho que haja qualquer contradição nas posições das duas partes. A transferência de poderes terá lugar a 20 de Dezembro. Para assegurar uma transição suave e uma transferência sem sobressaltos de Macau, nós devemos tomar algumas medidas técnicas para resolver algumas questões".

O Presidente da República Portuguesa garantiu hoje de manhã que estará presente na cerimónia de transferência de administração de Macau.

O porta-voz chinês à tarde disse aos jornalistas que "o Presidente chinês disse a Jorge Sampaio que também vai à cerimónia e que está disposto a encontrar-se com o Presidente português na ocasião".

O que o porta-voz chinês classificou de "força avançada", o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Jaime Gama, considerou tratar-se de "uma delegação técnica".

A concluir, o porta-voz chinês frisou que antes de 20 de Dezembro nenhuma unidade militar orgânica será enviada para Macau.

Lusa/Fim